sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cotidiano

''Todo dia ela  faz tudo sempre igual, 
se levanta às seis horas da manhã...'' (Chico)



Subitamente me dei conta enquanto dirigia que todos os dias faço o mesmo caminho. Sempre a mesma rota. Pego o carro, saio da garagem, viro a esquerda, sigo por alguns metros, viro à direita para em seguida virar a esquerda e seguir em frente por três quadras. Passo por dois balões, paro em pelo menos duas das 6 faixas de pedestres do caminho, sigo até o semáforo, quando novamente viro à direita e deslizo até a tesourinha que leva à Catedral e, por consequencia, à Esplanada dos Ministérios. Dali desço, atravesso mais alguns semáforos, encontro a Praça dos Três Poderes, viro à esquerda, viro à direita para depois de mais três semáforos [eles estavam no projeto do Lúcio Costa?] finalmente entrar no estacionamento do trabalho. Não! Voltei ao volante e decidi que hoje seria diferente. 

Logo no segundo balão tomei outro rumo. Mudei a rota sem aviso prévio. Apenas fui lá e mudei: Pronto! E gostei...Vi mais árvores, pessoas caminhando, bicicletas passando, ônibus [nunca vejo]. Parei em outros semáforos, vi outras paisagens  e estava há menos de 200m do caminho corriqueiro. Mudei e não doeu. Senti a liberdade de escolher. 

E pensei sobre costumes, hábitos, sobre os mesmos caminhos, as mesmas escolhas, os mesmos pratos, a mesma feijoada às sextas-feiras e as mesmas piadas. Como tudo se repete todos os dias. Se repete ou repetimos? Vamos dar crédito a quem de direito. Nós repetimos. Eu, você e todxs nós. E foi isso que subitamente me dei conta: é tranquilo, previsível, seguro e corriqueiro. Basta ligar o automático e automaticamente nos automatizamos. E o cotidiano fica isso assim meio bege. 

Chato, e vai ficando mais chato. Até que um dia [ou não] acontece esse despertar e pluft!  E o velho caminho se acaba. E a repetição termina, ou pelo menos a rota é substituída por outra. E outras paisagens surgem, com ela novas oportunidades, outras pausas. Acabou-se aquele caminho, novo caminho se fez! 

Feliz 2013 a todxs! 


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Eu preciso lhe dizer... (trailer)



Com a participação das Mães pela Igualdade, documentário idealizado pelo psicólogo Ricardo de Paula e realizado pelo diretor Douro Moura.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

MÃES PELA IGUALDADE: Carta Repúdio ao artigo de Veja

MÃES PELA IGUALDADE: Carta Repúdio ao artigo de Veja: Senhor Editor de Veja: Nós, Mães pela Igualdade , repudiamos o texto  ‘’Parada Gay, Cabra e Espinafre’’, publicado na edição de 11 d...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Hoje vou de... Álvaro de Campos

meu heterônimo predileto de Pessoa. talvez, apenas talvez, minha parte no imenso latifúndio que é a obra do poeta.


A  PASSAGEM DAS HORAS



Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si-próprio pela plena liberalidade de espírito,
.

.
.
Eu, tudo isto, e além disto o resto do mundo...
Tanta coisa, as portas que se abrem, e a razão porque elas se abrem,
E as coisas que já fizeram as mãos que abrem as portas...
Eu, a infelicidade-nata de todas as expressões,
A impossibilidade de exprimir todos os sentimentos,
Sem que haja uma lápide no cemitério para o irmão de tudo isto,
E o que parece não querer dizer nada sempre quer dizer qualquer coisa...
.

.
.
Mas o facto é que sempre é outono no outono,
E o inverno vem depois fatalmente,
E há só um caminho para a vida, que é a vida...
Esse velho insignificante, mas que ainda conheceu os românticos
Esse opúsculo político do tempo das revoluções constitucionais,
E a dor que tudo isso deixa, sem que se saiba a razão
Nem haja para chorar tudo mais razão que senti-lo.
Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
Atravessaram a rua, ao meu braço todos os velhos e os doentes,
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.
(Aquela cujo sorriso sugere a paz que eu não tenho,
.

.
.
Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas as emoções,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angústia da forja das emoções!
Raiva, espuma, a imensidão que não cabe no meu lenço,
A cadela a uivar de noite,
O tanque da quinta a passear à roda da minha insónia
O bosque como foi à tarde, quando lá passeamos, a rosa,
A madeixa indiferente, o musgo, os pinheiros,
Toda a raiva de não conter isto tudo, de não deter isto tudo,
.

.
.
A situação de passageiro,
A conveniência em embarcar lá para ter lugar,
E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase,
E a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.
Poder rir, rir, rir despejadamente,
Rir como um copo entornado,
Absolutamente doido só por sentir,
Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,
Ferido na boca por morder coisas,
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,
E depois dêem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida.

[1916] 


                                                 b

Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

[posterior a 1917]


□ espaço deixado em branco pelo autor
[.] palavra ilegível


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
A




























http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2241

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Velho e o Mar

Atraída por Hemingway desci até O Velho e o Mar, o restaurante, localizado na Rambla, às margens do Prata em Montevidéu. Talvez não seja necessário repetir que sou completamente apaixonada por essa cidade uruguaia.



Lembro-me bem dos sentimentos que tive quando atravessei a Rambla pela primeira vez. Havia entrado num túnel do tempo que me levara a memoráveis momentos, tornando aquele dia o primeiro de muitos em Montevidéu. Deixei a cidade muitas vezes, muitas vezes a encontrei, mas ela nunca saiu de mim.

O restaurante, ornado com referências a história contata por Hemingway, tem  atendimento simpático. Andrés, o jovem uruguaio que nos recebeu, solícito e gentil, fez-nos sentir em casa todo o tempo, cercando-nos de atenção. O dia ensolarado e o cuidado com o menu livre de glúten, para atender um pedido especial meu, além da vista maravilhosa do Prata fizeram da experiência um encontro com o prazer. 

Mas o ponto alto estava por chegar. Mexilhões a provençal abriram os trabalhos, fartos, saborosos e com sabor de desejos ocultos fez me acalorar o corpo e a alma com pensamentos nada confessáveis. Em seguida nos serviram um arroz com camarões, que saltavam da travessa, tão exibidos. Eu os comi quase de joelhos, derretendo-me à cada vez que o garfo penetrava minha boca úmida e o prazer tomou conta de mim. 

Foi um almoço orgástico, numa cidade que cada dia mais me convida a desvendar-lhe. 

Estando em Montevidéu, separe um tempo para viver essa experiência, de preferência numa tarde preguiçosa. Ali, nada merece correria.




sábado, 3 de novembro de 2012

Qual a resposta?

'O que eu tenho de fazer para receber esse cuidado e essa atenção?'


Algumas perguntas nos desorganizam tanto que mal conseguimos responder. 



'O que eu tenho de fazer para receber esse cuidado e essa atenção?'


Mesmo ouvindo pela segunda vez a pergunta, não conseguia respondê-la. Via o cursor girar em busca de arquivos que contivessem a resposta: em vão. Não havia naquele tempo/espaço resposta. E, como de hábito, tropecei nos próprios pés e, de súbito, mandei uma resposta completamente sem verdade. Vencida pela timidez, que tento a todo custo ocultar, choveu dentro de mim. E fiquei a dar voltas em torno do rabo em busca da resposta que sei de cor. 

Para receber de mim cuidado e atenção, gentileza e coração é preciso bem pouco. 

Primeiro é preciso verdade. [aquilo que faltou em minha resposta atrapalhada];

Verdade de ser quem é, confiando em meus braços e coração abertos à toda gente. Não vale ocultar timidez, como fiz e tropeçar nos capachos das salas de estar, derrubando bandejas inteiras e fazendo algazarra. 

Em nome da verdade tenho de confessar: Assim, de surpresa, sinto medo e respondo qualquer coisa que me afaste rapidamente das perguntas que me embaraçam.

Então, é preciso também generosidade para aceitar quem sou, como sou. Perceber que por detrás da mulher intocável, há uma menina e que a guerreira valente tem um coração delicado, que merece [também] cuidado. 

Por último é preciso saber, e fazer valer, o cuidado e a atenção que desejas. Como? Por reciprocidade. 

Tudo o que dou é o que peço. Então, não venha com descuido ou desatenção. Cuide de mim e cuidarei de ti. Seja gentil e respeitoso, serei gentil e respeitosa. Seja carinhoso e serei carinhosa. Cuide e serás cuidado. 

E por fim, lembre-se do primeiro requisito [sempre]: Seja verdadeiro. 










segunda-feira, 29 de outubro de 2012

As Cartas de Anita Lopes: Frágil

As Cartas de Anita Lopes: Frágil: Querido Alberto, Há dias ensaio te escrever. Desde que a Rumpilezzz tocou meu coração num domingo que tinha tudo para ser triste e termino...

domingo, 28 de outubro de 2012

O que é que a Bahia tem?

Amig@s é que a Bahia tem. Além de dendê, belas praias, lindas cores, sons incríveis, Olodum e Ile Ayê, a Bahia tem amig@s nov@s e antig@s.

Por isso fui a Salvador: rever amig@s. Era o reencontro da turma do ISBA, mas no primeiro dia na cidade me permiti rever uma nova amiga - Yara [e seu Robério-marido-mais-companheiro-do-mundo].

Fui recebida com tal carinho e cuidado que não podia deixar de registrar o valor de amizades que [re]conhecemos. Desde o primeiro instante, soube que Yara era para sempre em minha vida. E no reencontro não foi diferente. Tantas coincidências, tantas influências mútuas e recíprocas. Tantos afetos compartilhados.

Fui recebida com bolo de aipim, beiju, cuscuz e sucos de frutas tropicais, num autêntico lanche do sertão. Impossível não me sentir querida naquela atmosfera.

Depois um passeio gostoso por toda a cidade, revisitando lugares que fizeram parte de minha história ali, foi mágico.

Amores, costumo dizer [e não me canso], vêm e vão. Amig@s são para sempre!

Agradecida, Yara pela lindeza de cuidado que tiveram comigo aí.



Buenos Aires, mi amor!

Coisas incríveis acontecem em Buenos Aires. [Ou a imaginação fica solta]. Palermo Hollywood, próximo a calle Jorge Luis Borges e a Plaza Cortázar, reserva surpresas a quem anda por ali descompromissada. 


A visita ao Malba não estava nos planos de quem havia decidido nada planejar e não visitar lugares conhecidos. Mas a matéria na revista da Gol, me fez mudar o rumo da história. Beatriz Milhazes estava expondo no museu. Não poderia perder a oportunidade de ver o trabalho.

Beatriz Milhazes (Brazilian b. 1960) 
O beijo
Mergulhei no frescor da obra de Beatriz. Voltei encantada, ou melhor, não voltei. Caminhava pelas ruas de Palermo ainda mergulhada nas cores de Beatriz, nas formas e nas palavras que davam nome às obras. Caminhei muitas e muitas quadras com aquele gosto de mentos na boca, com a sensação de beijo suave percorrendo minhas pupilas. 




Beatriz Milhazes, 2009 - Canela

Mas Palermo Hollywood é um lugar com magia própria. Algo contraditório e logo suas cores abriram espaço em meus sentidos. Lá a feira de novos estilistas e artesãos se mistura a espaços mix e a lojas sofisticadas. Bares, bistrôs e restaurantes são refúgios repletos de aconchego e beleza.

Voltei ao 'El Francés', local onde tomara um branco refrescante na sexta-feira com Carlito e Laura. Naquele fim de tarde um item do cardápio me chamara a atenção. Tinha de experimentar. O lugar estava cheio e o público era bem variado. 

Sentei numa mesa bem posicionada e cuidadosamente construí meu espaço sobre a pequena mesa: livro, caneta, post-its e bloco de anotações. Pedi um tinto, para aquecer a alma algo úmida da chuva fina que caía lá fora e entrei no desafio de desvendar minha alma imoral, junto com Nilton Bonder. 

Sorriso discreto aboletou-se no meu rosto a medida que fui avançando nas linhas do rabino. Não era apenas a leitura que o desperatara, era o desmesurado prazer de estar ali, numa tarde de domingo qualquer de outubro, vendo a chuva fina cair, acolhida por um malbec, completamente dona de mim e do espaço tempo vivido. 

Olhei em volta, como que para me apropriar um pouco mais daquela sensação, de modo a fazer dela uma memória vívida em meus arquivos. Foi quando deparei-me com a jovem mulher que anotava e lia na mesa em frente. Intrigante... Sua figura autônoma e leve refletia sentimentos que conhecia naquele instante. Estaria projetando nela minha própria leveza e autonomia?

[fragmento de Uma história em Buenos Aires - em fase de amadurecimento].



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Tempo

Do tempo
Di-se que tudo cura. 
Tudo cura, o tempo? 
Tudo cura o tempo. 
Mas que tempo? 

Esse tempo tão ralo, tão relativo. 
O tempo da raiva:  só uns segundos, 
as consequências: dias e dias e dias ou anos. 

Os tempos do afeto. 
Tempos de delicadeza, 
                          de cuidado, 
               de beleza. 

E pode se arrastar, o tempo... 
                      vagorasamante lento

Na espera da carta que não chega, 
                    do pagamento que não sai, 
                        do resultado da seleção [ou do exame]

O efeito da palavra dita, do olhar lançado, 
de um por do sol ao som das cores. 

Ah, o tempo... Puta que pariu! 

O tempo às vezes pode estragar toda a poesia...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

De volta para o aconchego

''Voltar quase sempre   é partir para um novo lugar''
(Paulinho da Viola)



Salvador é mágica, qualquer pessoa que já tenha estado lá pode afiançar minhas palavras. O sincretismo, as cores, os sabores e o cheiro de dendê nas ruas são característicos de uma cidade com personalidade própria. Preparo-me para reencontrar Salvador. Para ir ao encontro de colegas de escola do princípio da década de oitenta. Escrito assim poderia sentir-me velha, afinal são 30 anos. Ao contrário, a energia que me move não é a de reviver experiências do passado, mas de voltar ao aconchego dos braços e abraços de amigos/as que naquele momento da minha vida fizeram toda a diferença. 

Ainda assim, uma ponta de ansiedade percorre meu corpo. Sentada no saguão do aeroporto, emociona-me com a simples idéia de vê-los/as e ouvi-los/as depois de tanto tempo. Mesmo com a ajuda inestimável do terrível Mark Zuckerberg, que tem revelado muito da trajetória deles/as, mesmo tendo revisto alguns/mas recentemente, anseio pelo cheiro de história que o abraço e os olhares poderão proporcionar. Anseio pela volta para o aconchego de uma fase tão cara em minha vida e a mera menção me põe um sorriso iluminando meu rosto. 

Conto os minutos para o embarque, faltam pelo menos 10 para começarem a chamar. Hora de desligar o equipamento, e embarcar nesta incrível aventura rumo às memórias, em direção aos próximos 30 anos junto de amigos/as. 


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Declamando para Drummond


E agora, Drummond?
Drummond, e agora?

Meu canto calou,
O silêncio ocupou.
Drummond, acabou!

Riso não há,
Choro, tampouco.
Há silencio, pr'a um ouvido moco.

Já não há cantoria,
E nem mesmo a alegria
De um samba de roda,
Sua sombra, de volta, traria.

Assim, poeta sem lastro
declaro-me aqui:
Livre[e livro!]

E agora de Maria em 09/10/2012.

domingo, 7 de outubro de 2012

Buenos Aires, meu amor! - Diário de Bordo

Não há como não se apaixonar por Buenos Aires [ou em Buenos Aires]. A cidade convida todos os dias, em cada esquina nos cafés, nas confeitarias, restaurantes e bistrôs. Sábado não terminou com Bâraka. A noite estava (com)prometida com um jantar especial. Às nove me passaram a buscar, Carlos e Laura.  Amigos queridos que [re]conheci e me presentearam com a noite dos sonhos. Memorável!


Fomos ao L'Atelier de Céline que está numa casa de 1807 e serve comida caseira com toque francês. O ambiente é delicioso, simples e aconchegante. O cardápio é pura poesia. Pedimos entradas explendidas. A tradicional sopa de cebolas estava de comer de joelhos, a quiche de roquefort com peras, acompanhada de salada verde derretia na boca, em uma perfeita combinação de texturas, para ficar por aí. Pedi um linguado com lagostins e molho de cogumelos com espinafre cujo sabor aqueceu meu corpo por inteiro [talvez o vinho tenha contribuído um bocado]. E Carlos havia pedido um malgret de cannard com molho agridoce, cogumelos e segredos... Adoro segredos, não foi diferente com estes. 

O atendimento feito por jovens muito simpáticos e bem treinados, estava excelente, além de termos tido o privilégio de uma visita de Céline. A jovem chef exalava a tranquilidade necessária para realizar um menu tão confort como o servido no lugar. 

Ali, diferente de Bâraka, se cobra 'el cubierto', embora valha cada centavo investido e também recomenda o pagamento da gorjeta, sugerida em 10% [o que para nós brasileiros, não é mais que o de sempre variado].

De todas as maneiras, saborear cada pedacinho da comida de Céline foi uma viagem aos céus. E não nos poupamos dos prazeres, a noite estava apenas começando. Mergulhei numa Crepe Suzette que jamais pudera provar igual, enquanto o casal querido se deliciava com uma mousse [autêntica mousse] de chocolate com molho de frutas vermelhas. Tudo partilhávamos, numa autêntica festa de Babette. 

A companhia merece especial apreciação, havia uma sintonia tão delicada entre nós cada olhar, cada comentário, cada lembrança evocada pela experiência que compartilhávamos era motivo de encontro entre nós. Às vezes nada precisávamos dizer, apenas o olhar já comunicava o que sentíamos. Assim foi quando o copo que portava a vela que nos alumiava estourou sem aviso prévio. Bastou um olhar para Laura e já nos pusemos a sorrir, sabíamos do que se tratava. Sim, o sabíamos, mesmo com os chistes de Carlos, nós sabíamos nessa cumplicidade que temos nós as mulheres com as coisas mágicas. 

A noite terminou com um cortado e dois ristretos, acompanhados por confituras de naranjas. E assim, voltei ao lar, suspensa ainda pela experiência orgástica daquele jantar inesquecível. 

Em Buenos Aires, não deixe de conferir, mas saiba que o menu é alterado a cada três meses. 




sábado, 6 de outubro de 2012

Diário de Bordo - Buenos Aires

"combine libremente sus elecciones, el cocinero aprecia la creatividade''



Buenos Aires é o  caminho mais curto para  o prazer. Paraíso para quem tem a língua e a boca cheias de sentidos. Própria para os que fazem questão de experimentar novas sensações e não tem medo do que é novo. De passagem pela cidade fui bater pernas no canto predileto. Uma região que está repleta de arte, cultura e bons lugares para comer, próximo a Av. Córdoba e as ruas El Salvador, Honduras e Jorge Luís Borges, no que os portenhos chamam de Pallermo Hollywood.  Justo na r. Gurruchaga (1450 -1400) encontrei o Bâraka - el camiño Sufi. Me encantou desde a chegada. 

Além da simpatia charmosíssima do garçon argentino, fui contemplada por um couvert delicioso, com pães da casa recém saídos do forno e uma pasta de abóbora e especiarias 'riquíssima'. E o detalhe que me fez gostar ainda mais do lugar: '' no cobramos cubierto, nos parece mal gosto'. O cardápio estava recheado não apenas de boas opções, mas de opiniões que comigo muito coincidiam. 

Ele  me sugeriu um prato fora da carta, depois que me refresquei com a mais deliciosa limonada com gengibre. Quase sussurrando me ofereceu estes tortellini recheados com salmão defumado, com molho de soja e cheiros verdes com espinafre. Fiz o caminho Sufi de volta para o aconchego do lar, não o meu, mas o lar de alguém que foi embalado pelo perfeito equilíbrio entre sabores. 

O 'cocinero' que aprecia criatividade é também muito criativo e conseguiu ganhar minhas melhores lembranças do sábado até agora. 

Em Buenos Aires, não deixe de visitá-los, mas saiba que a casa ''no sirve alcohol''.



Serviço: Na 9 de julho pegue a linha D (verde) até a estação Piazza d'Italia.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

As Cartas de Anita Lopes: A Mulher Invisível

As Cartas de Anita Lopes: A Mulher Invisível: Querido Caio X , Vou retomando nossas letras espalhadas pelo caminho enquanto lembro sua viagem no tempo para tratar a f...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cataratas do Iguaçu


Cataratas: Poesia fluindo em estado líquido, expressando sentidos, sensações e sentimentos...




...Voei sobre as cataratas. Voei e voava e voava com asas nas pálpebras. 
Rasantes, volteios e rodopios 
Vento fresco e úmido a lamber-me as asas,
Corpo molhado.
E uma vez mais voltava
Deslizava no ar, voava
E senti a brisa fria envolver a alma
Banhar-me a pele
Em desejos insuspeitos, arrepios indizíveis...
Num impulso sobrevoei a cachoeira mais alta
E num salto mergulhei inteira
E de pássaro me fiz peixe
Entreguei-me à volúpia violenta das águas
E misturamo-nos num arroubo apaixonado
Escorri silente, olhos cerrados.
Entreguei meu corpo às águas
Elas me levaram
E de peixe me fiz humana
Enquanto um rio lavava minh’alma






terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Alma Imoral



Um dos melhores espetáculos que vi nos últimos tempos, não apenas pela primorosa adaptação do texto [profundo e belo] de Nilton Bonder, como também pela magnífica interpretação de Clarice Niskier.

''Todo lugar em que crescemos e nos desenvolvemos um dia fica pequeno.''




EM MEIO ÀS CITAÇÕES DO TEXTO UM  .
Sim, um ponto... meu ponto de interrogação, meu ponto de exclamação para tão sábias palavras que ainda hoje ecoam em mim. 


''Primeiro marche, depois o mar se abre''




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acarajé da Rita - 111 Sul

Acarajé em Brasília tem endereço: 111 Sul, do Plano Piloto. Claro que há outros, alguns até bem famosos, mas o da Rita [e da Bira] tem ingredientes que valem a pena mencionar. Não é apenas o sabor e autenticidade da receita, nem tampouco a qualidade exemplar da pimenta ou do caruru. Pausa: - baianos e baianas de plantão, prestem atenção: ela coloca caruru! [dos bons]. Um outro diferencial da Bira e da Rita é que o tabuleiro delas é pura diversão.



Todas as vezes que fui [vejam todas!] havia pessoas bom astral, do tipo que puxa conversa com desconhecidos e faz rir muito. Tais pessoas vão embora, e você se vê rindo e brincando. Significa dizer, desde meu ponto de observação que não são exatamente as pessoas que frequentam o lugar, mas a boa energia de Bira que contagia a todas e todos.





Além do acarajé, se você tiver sorte, poderá também encontrar abará. O bolinho não é tão comum de se achar fora da Bahia. Cocadas, torta de camarão e cuscuz baiano também são iguarias que não faltam no tabuleiro das meninas.


O preço é honestíssimo e o programa é imperdível, em especial naqueles dias em que você estiver a fim de desopilar a uruca de um dia inteiro de trabalho pesado, num clima de alegria e descontração.




A Rita e a Bira ocupam o espaço em frente a uma academia de ginástica na comercial da 111 Sul há anos e tem contatos telefônicos para encomendas e festas. Tome nota, prove e depois venha contar aqui como foi a experiência com muito axé!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Surpresas de Macapá II - Museu Sacada

O Museu Sacada, na capital amapaense, faz sentir no coração da floresta. Espécies nativas convivem com construções tradicionais.




Habitação dos castanheiros, feita pela própria comunidade tradicional, com matéria prima autentica e original apresenta ao visitante utencílios utilizados para a coleta dos ouriços, armazenamento e retirada da deliciosa castanha do Brasil.



A casa dos Wajãpi, reflete meus sonhos mais profundos. Veja se não é de apaixonar uma casa assim.




Mais de Wajãpi. Residencia de dois pisos com uma escada super interessante. Todas as moradias foram construídas pelos povos e comunidades tradicionais do Amapá. Há uma tv de led que difunde documentário feito durante a construção, em que o arquiteto Wajãpi descreve em sua própria língua e em português as etapas da construção.


A cozinha da casa dos ribeirinhos pode ser vista abaixo. O fogão a lenha tem configuração completamente diferente do que conhecemos como fogão a lenha do nordeste ou do sudeste brasileiros. Apoiado em bancada de madeira é simples e eficiente, abaixo depositada a lenha para alimentar o fogo que cozinha seus alimentos.


Olhem o detalhe do fogão. É possível encontrar para comprar na Casa do Artesão em Macapá - difícil é transportar - assim como cestarias e outros objetos tradicionais da região.



A frente da casa, fica virada para o rio, onde d. Maria acena com seus 'minino' para o barco, chamado de regatão. A palavra define não apenas o barco, como também a prática da compra e venda de manufaturados, remédios e mantimentos.


Mas não para por aí. O museu Sacada e o Amapá ainda tem muito a mostrar. Por isso, entrou por uma porta e saiu pela outra, se alguém puder, me conte outras!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

As Surpresas de Macapá I

Macapá mereceria diário de bordo só pela chegada. Jamais havia sobrevoado aquele rio oceânico. [oceânico é adjetivo que indica o quão grande é o rio Amazonas, só para registro]. Deus! Não terminava, imponente, silenciosamente imponente. Mergulhei nas águas profundas do rio enquanto o avião chacoalhava sua chegada em tarde de chuva. 

Pouso tranquilo depois da turbulência, fazia calor e havia um tumulto enorme no aeroporto, que é pequeno para dois voos chegando no mesmo horário. 



O hotel fica bem perto do Forte de Santo Antônio de Macapá e em frente ao rio Amazonas, que posso ver da janela do quarto. O clima úmido hidrata a pele quase instantaneamente e a sensação de oxigênio dá leveza ao dia. Apesar da tentação, não foi possível visitar o mercado central, que ficou para uma próxima oportunidade. 


A noite fiz a primeira incursão pela culinária local. O maravilhoso filhote recheado com banana e castanhas do brasil, acompanhado de arroz com jambu e purê com camarões rosas é uma dessas coisas que se come de joelhos, ainda mais se estiver mirando o Amazonas a sua esquerda, tomando uma gelada em boa companhia. O restaurante que recomendo sem medo de errar é o Cantinho Baiano, que fica na r. Beira Rio, 328 - Bairro Santa Inês. 




Mas o melhor ainda estava por vir, e esse é só o primeiro Diário de Bordo - Macapá! Por agora, entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser me conte outras!









segunda-feira, 9 de julho de 2012

Nós Não Nascemos Mães, Nos Tornamos Mães Todos os Dias - Ou Não!

Há quase 20 anos nascia mia bella. Aquela criaturinha pequena e frágil mudaria minha vida para sempre. Já houvera mudado muitas coisas desde a notícia de sua chegada, mas nenhuma mudança tão avassaladora quanto as que se seguiriam aos seus primeiros gestos.

Depois de longa e ansiosa espera, recheada de percalços, ela finalmente chegara. Trouxera na bagagem muitas novidades. Ser mãe, afinal, não é natural como se pensa. Como lidar com um serzinho pequenino e delicado diante de uma banheira de água morna: 'e se cair?', 'e se engolir água?','e se afogar?', 'o que significa seu choro?', 'porque não consegue dormir?', 'porque não acordou ainda?'. Estas e outras perguntas assombram os dias e as noites também e por melhor que sejam os manuais para 'mães de primeira viagem', em geral, não conseguem suprir todas as dúvida e medos que nos invadem. Eu tinha medo de machucá-la, de não conseguir alimentá-la, de deixá-la dormir demais ou de menos... ainda tenho tantas dúvidas.


Seu sorriso doce e meigo, seus olhinhos, pezinhos, todo o seu ser foi tocando meu coração de um modo que não há palavras que possam explicar. Sua delicadeza e fragilidade, as inúmeras noites mal-dormidas me ensinaram o que é amor. Aquele serzinho miúdo me ensinou a amar, nas primeiras horas comigo. Incomparáveis lições aprendi com ela e sigo aprendendo.



Mas nada se compara ao meu primeiro desespero a seu lado. Sim, ela chorava, chorava, chorava. Havia pelo menos seis horas que chorava. Eu dava o peito, e nada. Dava chupeta, e nada. Balançava, cantava, passeava: nada! Não era fralda molhada, não era fome, não era sono, não era frio, tampouco era calor. Não era barulho, não tinha idéia do que poderia ser. Depois de seis horas de tentativas infrutíveras de fazê-la parar de sofrer e chorar, caí no choro. Chorei copiosamente junto com ela, já não sabia mais o que fazer. Adormecemos juntas, exaustas de um dia inteiro de lágrimas. Nosso primeiro grande momento juntas - na alegria e na tristeza se havia concretizado.


Depois disso, muitas vezes dormimos - à tarde - só nós duas. Nunca antes da música do lobo (...vamos passear no bosque, enquanto seu lobo não vem...). Dormíamos felizes, abraçadas, bem juntinhas. Aquele cheiro gostoso de bebêzinho, aquele carinho inesquecível. Sempre foi uma menina independente, não gostava que lhe apertasse, lhe desse muitos beijos ou mimos. Esperta, inteligente e vivaz, adorava jogos e quebra-cabeças. Observadora ao extremo, olhava atentamente tudo em volta. Era linda - como de fato ainda é.


Veio então novo susto,  uma infecção urinária a fez parecer uma a fome na África. Era pele e osso, minha menina. Foram dias no hospital sem ver a luz do sol, ao lado dela e o coração apertado - pela primeira vez tive medo de perdê-la. Os nervos: à flor da pele. Pressão de todos os lados. A responsabilidade é sempre da mãe. Sobrevivemos juntas a mais aquele desafio.


Fomos muitas vezes à praia. Criança pequena cega a gente [diz a sabedoria popular], desde sempre independente, numa dessas sumiu em meio à multidão do domingo de sol. Pela segunda vez temi - em uma fração de segundos - tê-la perdido. Que nada! Estava no chuveiro arremessando as gotas d'água que caíam em suas mãozinhas infantis.


...E crescia a garota. Foi ela, quem afirmou - categórica - que 'a irmãzinha' dentro da minha barriga era 'o Pedrinho!'. No final, estava mais certa que a ecografia. Nasceu então seu irmão. De repente, diante do bêbe recém-nascido, ela pareceu enorme. Covardia com a pequena, ainda tinha dois anos. Eis a primeira decepção: não percebi prontamente que ela ainda era um bêbezinho. Tempos depois me dei conta, talvez a tivesse magoado pela primeira vez. Era o que dava conta, naquele momento, estava aprendendo a ser mãe. A maternidade, venho descobrindo, é um aprendizado diário.


Foi crescendo a garotinha, mudamos de cidade e descobri - preocupada - que ela verbalizava  sentimentos. Eu a ouvi falando com o patinho de borracha do medo que sentia na nova escola, com os novos amigos [foi lindo e aterrador - fizera a coisa certa?!]. Liguei imediatamente para a dona da antiga escola (Casa da Tia Léa), em quem tinha plena confiança. Horas no telefone sendo carinhosamente ouvida e respeitosamente aconselhada. Aprendi que era muito bom que ela externasse seus sentimentos. Respirei aliviada.


Voltar a trabalhar é um desafio dos tempos modermos, mas quase cinco anos fora do mercado, retomei a trajetória profissional.  Alguns daqueles anos, estive ausente de mim mesma, a maior parte deles, eu diria. Passei a ser ausente dela, tão ausente que não havia mãe no desenho da família. Pela terceira vez chorei, senti-me culpada e triste por não mais fazer parte de seu universo. O trabalho consumia minhas horas e ocupava espaços que não lhe pertenciam, ao mesmo tempo, me fazia [re]constituir como sujeito pleno. Difícil tarefa do ser: Mulher, Mãe, Trabalhadora!


...Mas fomos nos perdendo lentamente uma da outra a partir de então, mas não esqueci nossos momentos lindos, nossos momentos doces. Houve quem dissesse que eles nunca existiram. Mentira! Eles não só existiram, como foram os mais significativos de minha vida, por isso hoje luto para resgatar a poesia que ela me ensinou a entoar com sua chegada angelical. Por ela (eles) busco incessante o caminho de volta para casa, a estrada que leva ao meu coração, o mesmo que acolheu o amor que ela me ensina todos os dias. Nos encontramos agora, em marcha pela igualdade, o respeito às diferenças, a solidariedade, o amor e a liberdade de ser, expressar afetos e desejos.

Amo minha filha, amo meu filho, exatamente como são  e tenho muito orgulho deles.  



MÃES PELA IGUALDADE: Caleidoscópio - Como é Ter um Filho Gay

MÃES PELA IGUALDADE: Caleidoscópio - Como é Ter um Filho Gay: Descobrir que uma filha ou filho é homossexual, é como engolir uma pedra, pesa no estômago e se espalha por todo o corpo.  A primeira per...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

MÃES PELA IGUALDADE: Documentário sobre as Mães

MÃES PELA IGUALDADE: Documentário sobre as Mães: Assista ao documentário de Diva Flores sobre mães de LGBTTs com a participação das Mães Pela Igualdade.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Comida de Rua - Karanga's 215 Sul

Brasília não é apenas Bras'Ilha. Há comida de rua - e das boas - na cidade, com toda a diversidade que caracteriza esse canto do país. Há muito desejo escrever sobre esses sabores e as pessoas especiais que com coragem montaram suas tendas ou carrinhos para oferecer as legítimas oportunidades de vivenciar a cidade.

Começar pelo final da Asa Sul, como quem chega pela Rodoviária ou pelo Aeroporto. Lembro do dia em que cheguei, vinda do Rio. Meu pai apostava que a única das três filhas que não iria gostar da cidade seria eu. Cá estou, 25 anos vivendo amorosamente Brasília, apaixonada pelas retas e curvas. Encantada pelos mistérios que as esquinas invisíveis aos olhos destreinados escondem.

Dar as boas vindas àqueles e àquelas que, como eu, adoram descobrir os sabores das ruas é dizer de todo tipo de comida. Ao começar pelo final da Asa Sul ou pelo começo dessa história não posso deixar de mencionar a 215 Sul. Sim, na entrada da quadra residencial há um trailler - 15 anos de existência [ou mais] - Karanga's. Sanduíches super especiais, com nome de carros, de deixar qualquer nutricionista de cabelo em pé.

- Ok, jogue a primeira pedra quem nunca comeu - e gostou! - de sandubão.

Sanduíche de lá é de responsa, mas atenção gaúchos de plantão: é tamanho normal. Não vão esperando um Xis [alimenta 4 pessoas fácil], por que lá se come sanduíche. Vira e mexe apareço por  para lembrar aqueles sabores. Certo que não é a alimentação regular de alguém que pretensamente se cuida. Não está na lista dos mais saudáveis, mas vamos lá, comer e nutrir-se também é aconchegar-se em lembranças boas, memórias que são despertadas por cheiros e gostos experimentados em momentos simples e mágicos.

Experimentou? Me conta...





sexta-feira, 8 de junho de 2012

Esplanada dos Ministérios e seus Sabores

É verdade o que dizem sobre 'não ter nada na Esplanada dos Ministérios'?! Sim e não. Estou parcialmente de acordo. Se procurar algo para comer após às 18h, realmente vai ficar a ver submarinos no Lago Paranoá. O mercado brasiliense, por desatenção ou seja lá pelo que for, ainda não se deu conta da quantidade de pessoas, em especial ocupantes de cargos elevados do Poder Executivo ficam trabalhando até mais tarde [bem mais tarde].

No entanto, durante todo o expediente, em especial do lado Sul da Esplanada, há muitas opções interessantes. A começar pela banquinha do bloco B (MMA e MinC). Lá é possível comer pastéis fritos na hora com direito a pedir caldo de cana [tudo pago, é claro!]. Lá também é possível encontrar diversos sucos industrializados e refrigerantesm [passo], além de uma máquina de café para fugir do cafezinho-de-repartição vez ou outra. Na mesma praça é possível encontrar salada de frutas feita na hora.

Aliás, a salada de frutas da estação feita na hora é um acepipe encontrado em várias partes da Esplanada dos Ministérios. Nas barracas que comercializam as saladas é possível também optar por pedaços de frutas ou frutas inteiras. Opção saudável e refrescante, super dica para os dias quentes e secos.

Andando mais dois ou três Ministérios em direção ao Itamaraty, no período da manhã, é possível encontrar o 'moço-da-tapioca'. Tapiocas feitas na hora, de diversos sabores. Ainda não experimentei, mas já o vi preparar algumas vezes. Parece ótima.

É possível encontrar também as empadinhas da Japa. São feitas com a tradicional massa podre [empada carioca] e recheadas com carne seca e catupiry, palmito, camarão ou frango. Super fresquinhas e saborosas. A Japa vende seus quitutes em frente ao Ministério da Saúde a partir das 16:30h. Ao lado dela estão a senhorinha dos biscoitos de queijo e os pães especiais dos gaúchos.

É possível encontrar pães especiais feitos pelos dois irmãos por volta das 16:30h, nos Ministérios da Saúde e da Cultura], mas cuidado! Caso não pegue seu pão até às 17h, corre  risco de ficar sem. Os pães em tamanhos individuais recheados ou grandes [diversos sabores], acabam muito rápido. Recomendo em especial o de goiabada com queijo e o de peito de peru com requeijão. Entre os tamanho família, não deixaria de mencionar o multigrãos e o pão de mandioca.

Fica a dica para os forasteiros, desterrados e expatriados que andam lavorando por aqui.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Século XXI e os Livros

Depois de ter seu livro rechaçado por editoras, autor decide disponibilizá-lo na internet gratuitamente e vira fenomeno com 40.000 downloads.

http://www.historiasdeluz.es/cultura/526-de-internet-al-papel-el-camino-inverso-de-los-escritores-noveles-en-la-era-digital.html

Publicado em papel está no topo dos mais vendidos da Amazon.

Bem vindo século XXI, hora de repensar os modelos econômicos em diversos segmentos, em especial aqueles que lidam com informação, arte e cultura.

E tenho dito!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Hoje vou de...Valek


Nada contra

Não tenho nada contra homofóbicos. Eu, inclusive, tenho muitos amigos que são. O problema é que tem uns homofóbicos escandalosos, que não conseguem ser discretos. Ficam dando pinta que não gostam de gay, sabe? Tudo bem ser uma pessoa rancorosa e preconceituosa, mas não em público. Entre quatro paredes e bem longe de mim, tudo bem. Nada contra mesmo.
É impressionante o quanto eles se acham no direito de ficar com pouca vergonha na frente de todo mundo. Outro dia ouvi um cara dizer, em plena luz do dia e para quem quisesse ouvir, que “gay é abusado, mexe com homem na rua mais do que homem mexe com mulher”. Acredita? Mas já vi e ouvi coisas piores. “Tenho nojo de homem se pegando” ou “essas menininhas que se beijam não são bissexuais coisa nenhuma, só querem chamar atenção dos homens” ou ainda “te sento a vara, moleque baitola”, e por aí vai. E se alguém critica, logo apelam para “ah, foi só uma piada” ou “é a minha liberdade de expressão” ou ainda “está na Bíblia”. O horror, o horror.
Ser homofóbico é uma opção, mas ninguém tem a obrigação de aceitar, né. É muito constrangedor ver alguém olhando feio para duas pessoas do mesmo sexo se beijando. Como eu vou explicar para os meus filhos que existe gente intolerante? O pior é que nem na escola as crianças estão a salvo. Querem ensinar nossos filhos a serem homofóbicos, imagina! Quando você percebe, já é tarde demais: uma amiga minha foi chamada pela diretora porque o filho foi pego espancando um colega no intervalo. Tudo porque o rapaz era gay. Minha amiga, coitada, não aguentou a decepção de ter um filho homofóbico. Ela diz que é só uma fase, que vai passar. Por garantia, levou o menino no psicólogo.

Acredite, homofobia tem cura. Soube de uns casos de conversão que parecem até milagre. Em um dia, a pessoa estava lá, odiando gays, militando contra o direito dos homossexuais ao casamento civil, fazendo marcha pela família e tudo o mais. Mas com um pouquinho de empatia e bom senso, eles começaram a ver que não tinham nada que se meter com a sexualidade dos outros. E como o respeito é todo-poderoso e misericordioso, os ex-homofóbicos viram que os gays eram boas pessoas e também mereciam os mesmos direitos. Hoje dão testemunho de tolerância.

Murillo Chibana
Agora, tão preocupante quanto homofóbicos exibidos e sem-vergonha são aqueles que não se assumem. Aqueles que não saem do armário, que se fazem de pessoas normais e sem ódio no coração, mas que, no fundo, no fundo, também são fiscais de cu alheio. Pensa comigo: você sai com uma pessoa dessas, sem saber da opção de ignorância dela, e começam a pensar que você também é homofóbico, igual a ela. E todos sabemos que homofóbicos são abominações, ninguém quer ser confundido com um deles. Além disso, onde enfiar a cara quando eles resolverem se revelar e soltarem um “odeio viado” assim, do nada?
Mas não me leve a mal. Não tenho nada contra os homofóbicos, apenas não concordo com a homofobia. Essa doença quase sempre vem acompanhada de outros preconceitos, como o machismo e o racismo. É um caminho sem volta. Fico triste de ver tantos jovens se perdendo nesse mundão de ódio gratuito. É por essas e outras que prefiro ter um filho gay a um filho homofóbico. Ah, você quer saber se eu vou aceitar e amar um filho que virar homofóbico? Como alguém já disse por aí, eles não vão correr esse risco; vão ser muito bem educados.

Grande descoberta, agradeço a `Paulo Cequinel' do O Ornitorrinco

Qual o valor da vida de nossos filhos e filhas?

Qual o valor da vida de nossos filhos e filhas?

‘’A sociedade tratou dois meninos assassinados de modo desigual, mas a morte violenta os igualou’’

Em 2006, no auge da comoção pública ocorrida em razão da morte do menino João Hélio, publiquei artigo de opinião neste site em que questionava não apenas a exploração da dor pela mídia convencional, como também os discursos inflamados pela diminuição da maioridade penal, que mais uma vez surgiam ante um fato exaustivamente exposto nas TVs, jornais e rádios brasileiras.
Há várias formas de matar uma criança
Na mesma semana, um adolescente de 17 anos fora torturado, violado e morto, com requintes de crueldade na vizinha cidade de Anápolis, a segunda mais importante no estado de Goiás. Não foi publicada sequer uma linha nos jornais do Distrito Federal ou do país, e, mesmo em Goiás, apenas um pequeno jornal semanário (Jornal Opção) deu a notícia com pouco mais de 200 caracteres, quase num pé de página.
Qual a diferença entre João Hélio, o menino de seis anos, morto em razão de um assalto mal sucedido e o garoto sem nome, de 17 anos, torturado, violado e assassinado em Goiás? Por que os defensores da diminuição da maioridade penal, os paladinos da pena de morte, do movimento lei e ordem, nada falaram sobre o caso? O que motivou os editores de telejornais, jornais e rádios do país a sequer se preocuparem em dar a notícia? Por que não houve clamor popular, comoção pública, debates em torno da crescente violência que assola o país?
Tantas perguntas, uma única resposta. O que diferencia o garoto sem nome de João Hélio é que aquele causara rebuliço na família seis meses antes, por que revelara que era homossexual. E por que era homossexual, foi torturado, violado e friamente assassinado.
Retrato de uma sociedade adoecida em que a vida, a integridade física e emocional são valores relativos. Uma cultura que pune cruelmente todo aquele que não reza pela cartilha da maioria, que não realiza as expectativas identitárias, em especial e principalmente, que ousa desobedecer o código da heteronormatividade e das identidades de gênero binárias.
O que têm em comum João Hélio e o garoto sem nome? Eles têm mãe. Mas poderiam ter tantas outras coisas em comum, qualidades que jamais saberemos por que ambos foram vítimas da violência.
Ainda assim, para João Hélio, cuja identidade sexual e de gênero ainda não estava plenamente expressa, a sociedade bradou por justiça, os meios de comunicação inflaram o debate em torno da segurança pública, os políticos de plantão levantaram suas bandeiras de tolerância zero. Enquanto repousa anônimo o garoto torturado, violado e assassinado em Anápolis, e ninguém, exceto a própria mãe, clamou por justiça. A sociedade os tratou de modo desigual, mas a morte violenta os igualou.
É preciso que nossos filhos e filhas tenham direitos iguais. É necessário que a vida, a integridade física e emocional sejam valores absolutos em nossa sociedade. Respeitar e garantir os direitos civis de brasileiros e brasileiras sem qualquer distinção, inclusive a de orientação sexual, é garantir o estado democrático de direito.

Maria Cláudia Cabral é Advogada, blogueira, faz parte do movimento Mães pela Igualdade

Publicado originalmente em Congresso em Foco de 23/05/2012 http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/outros-destaques/qual-o-valor-da-vida-de-nossos-filhos-e-filhas/

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Abre-fecha

fecham-se portas
abrem-se janelas 

é a vida...
feita de portas e de janelas
de encontros e de [des]pedidas

segunda-feira, 14 de maio de 2012

As Brumas de Avalon - Adeus, Avalon!





foto: Thaís Werneck
'Todo mundo tem uma história inacabada,


guardada num canto empoeirado do peito.
Em geral, são histórias que nos recusamos a terminar,
e, por isso, as completamos com nossos sonhos.
E a história fica lá guardada, meio realidade e meio delírio,
como uma espécie de fauno em uma área enevoada e
 mística que não queremos banir de nossas vidas.
É o verdadeiro Avalon, aquela terra da lenda,
 onde essas histórias vivem para sempre mágicas dentro de nós.''
(Aline Mirili Mac Cord)


Escapo para Avalon desde cedo... Talvez, desde sempre. E ainda que queira fechar a porta, não é possível, mas se fosse, não seria Avalon, seria? Avalon, em verdade, mora em mim. Mas às vezes, receio cruzar as brumas e me perder no caminho de volta, embora perder-se, neste caso, fosse a melhor parte da estória. 

Acho até que todo mundo tem uma dessas para desencantar, a tal história inacabada. Ou não. Mas talvez, só talvez, ser inacabada seja a grande qualidade oculta dessas histórias e o que as mantém tão vivas e mágicas.

Conheço gente que tirou a poeira e a névoa e fez o sonho virar realidade. Fico me perguntando como? Vire e mexe eu meto os pés pelas mãos, tropeço em meus próprios pés, derrubo suco de laranja na roupa e caio de boca na magia de Avalon. É ridículo, eu sei, mas a sorte dos ridículos é que ser ridícula é direito líquido e certo.

Aline diria que as histórias são inacabadas porque a gente escolhe que seja assim. No fundo [e concordo com ela], o que dá vida a esses seres mitológicos é a nossa insistência em mantê-los vivos [bem vivos] em nós.

O risco é que em Avalon o que parece ser realidade é muito pouco confiável. Fruto da imaginação e do desejo, ancorado num mar de expectativas e sonhos. A insistência em mater o reino da fantasia vivo, termina por impedir a experiência de histórias reais, com pessoas reais. Impede ainda ver aqueles seres mágicos, despidos de [nossas] fantasias.

Mas ao tentar retomar a história que sobrevera naquele país de fantasia, pode acontecer de finalmente enxergar o que foi, percebendo que 'o que seria' é apenas fruto da própria imaginação. O que é, finalmente se revela, e em nada se assemelha às terras de Avalon. Já não há brumas, fadas, bruxas e cavaleiros errantes. Há apenas o que É.

Assim, abre-se a possibilidade de tomar o trem só de ida para o presente, fechar as portas de Avalon, seguir sem olhar para trás. Surge a possibilidade de agradecer pelas experiências e pelo aprendizado proporcionados por Avalon.

Há alguém com um terreno em Avalon que queira compartilhar sua experiência?