segunda-feira, 30 de maio de 2011

Hoje vou de:''Católicas pelo Direito de Decidir''

Estado laico. O que é isso, companheira?
Carta aberta de Católicas pelo Direito de Decidir à Presidenta Dilma Rousseff sobre a polêmica criada em torno do kit anti-homofobia



  Presidenta Dilma,

Estamos estarrecidas! A polêmica criada em torno do kit anti-homofobia e o recuo do governo federal ante as pressões vindas de alguns dos setores mais conservadores e preconceituosos da sociedade nos deixou perplexas. E temerosas do que se anuncia para uma sociedade que convive com os maiores índices de violência e crimes de morte cometidos contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersex (LGBTTI) do mundo. Temos medo de um retorno às trevas, senhora Presidenta, e não sem motivos.
A vitoriosa pressão contra o kit anti-homofobia da bancada religiosa, majoritariamente composta por conservadores evangélicos e católicos, em um momento em que denúncias de corrupção atingem o governo, traz de volta ao cenário político a velha prática de se fazer uso de direitos civis como moeda de troca. Trocam-se, mais uma vez, votos preciosos e silêncio conivente pelo apoio ao preconceito homofóbico que retira de quase vinte milhões de brasileiros e brasileiras o direito a uma vida sem violência e sem ódio. A dignidade e a vida de pessoas LGBTTI estão valendo muito pouco nesse mercado escuso da política do toma-lá-dá-cá, senhora Presidenta! E o compromisso com a verdade parece que nada vale também.
Presidenta, convenhamos, a senhora sabe que o kit anti-homofobia é um material educativo, que não tem por finalidade induzir jovens a se tornarem homossexuais, até mesmo porque isso é impossível, como tod@s sabemos. Não se induz ninguém a sentir amor ou desejo por outrem.   Mas respeito, sim. E ódio também, senhora Presidenta... ódio é possível ensinar! Poderíamos olhar para trás e ver o ódio que a propaganda nazista induziu contra judeus, ciganos, homossexuais. Porém, infelizmente, não precisamos ir tão atrás no tempo.  Temos terríveis exemplos recentes de agressões covardes e aviltantes a pessoas LGBTTI e o enorme índice de violência contra as mulheres acontecendo aqui mesmo,  em nosso próprio país.
Quando a senhora afirma, legitimando os conservadores homofóbicos, que é contra a propaganda da "opção" sexual, faz parecer que alguém pode, de fato, "optar" por sentir esse ou aquele desejo. Amor, desejo, afeto não são opcionais, ninguém escolhe por quem se apaixona, senhora Presidenta! Mas se escolhe ferir, matar, humilhar.
Quando a senhora diz que todo material do governo que se refira a "costumes" deve passar por uma consulta a "setores interessados" da sociedade antes de serem publicados ou divulgados, como estampam hoje os jornais, ficamos ainda mais perplexas. De que "costumes" estamos falando, senhora Presidenta? E de que "setores interessados"? Não se trata de "costumes", mas de direitos de cidadania que estão sendo violados recorrentemente em nosso país e em nome de uma moral religiosa conservadora, patriarcal, misógina, racista e homofóbica.  Trata-se de direitos humanos que são negados a milhões de pessoas em nosso país!  
E "setores interessados", nesse caso, deveria significar a população LGBTTI e todas as forças democráticas do nosso país que não querem  ter um governo preso a alianças políticas duvidosas, ainda mais com setores "interessados" em retrocessos políticos quanto aos direitos humanos da população brasileira.
O país que a senhora governa ratificou resoluções da ONU tomadas em grandes conferências internacionais, em Cairo (1994) e em Beijing (1995), comprometendo-se a trabalhar para que os direitos sexuais e os direitos reprodutivos sejam reconhecidos como direitos humanos. No entanto, até hoje pessoas LGBTTI morrem por não terem seus direitos garantidos. Mulheres morrem pela criminalização do aborto e pela violência de gênero.
Comemoramos quando uma mulher foi eleita ao cargo máximo de nosso país. Ainda mais porque, como boa parcela da sociedade, levantamos nossa voz contra o aviltamento do Estado laico, ao termos um uso perverso da religião nas campanhas eleitorais de 2010 para desqualificar uma mulher competente e com compromisso com a dignidade humana. Antes ainda, levantamos nossa voz a favor do III PNDH, seguras de que deveria ser um instrumento de aprofundamento do respeito aos direitos humanos em nosso país. Agora não temos o que comemorar, senhora Presidenta! Parece que o medo está, de novo, vencendo a verdade. E a dignidade.
Infelizmente, temos de - mais uma vez! - vir a público exigir que os princípios do Estado laico sejam cumpridos. Como a senhora bem sabe, a laicidade é essencial à democracia e não se dá pela simples imposição da vontade da maioria, pois isso resulta em desrespeito aos direitos humanos das minorias, sejam elas religiosas, étnico-raciais, de gênero ou orientação sexual. Não existe democracia se não forem respeitados os direitos humanos de todas as pessoas.  Impor a crença religiosa de uma parcela da população ao conjunto da sociedade coloca em risco a própria democracia, já que os direitos humanos de diversos segmentos sociais estão sendo violados.  Portanto, senhora Presidenta, não seja conivente! Não permita que alguns setores da sociedade façam do Estado laico um conceito vazio, um ideal abstrato.
Como Católicas pelo Direito de Decidir, repudiamos o uso das religiões neste contexto de manipulação política e afirmamos nosso compromisso com a laicidade do Estado, com a dignidade humana e nosso apoio ao uso do kit educativo pelo fim da homofobia nas escolas brasileiras.




Diário de Bordo Porto Alegre V - Dia 2

''Bola na trave não altera o placar 
Bola na área sem ninguém pra cabecear 
Bola na rede pra fazer um gol
 Quem não sonhou ser um jogador de futebol?''
(Skank)



Ir a Porto Alegre em fim de semana de jogo do Inter no Beira Rio e não comparecer ao estádio seria crime. Sim, embora não seja torcedora fanática, gosto muito de clima de estádio de futebol. Momento em que o esporte ganha contornos de espetáculo, com a platéia interagindo e expressando. Momento de emoções ao extremo e adrenalina a mil.

O estádio do Inter é um dos doze que receberão os jogos da Copa de 2014 e posso afiançar que com todo o atraso a organização e a segurança são primorosos. Chegam a irritar de tão perfeitinhos - a bilheteira, após conferir e registrar a identidade da torcedora que compra ingresso diz ''bom jogo para nós''. Há um ar de todos pelo vermelho e branco.


foto: Maria Cláudia Canto Cabral Iphone

A tal ponto que a equipe de serviços gerais usa vermelho e branco  - as cores do time - em uniformes impecáveis. Viu ali?

Como todo estádio em dia de jogo, ambulantes a vender toucas, cachecóis, bandeiras, almofadas, chapéus e tudo o que você puder imaginar com o escudo do time. Tá duvidando, dá um look:

foto: Maria Cláudia Canto Cabral Iphone 


Mas o que chamou minha atenção, com todo esse zum-zum: ''não vai dar tempo, não vai dar tempo'' é que as instalações estão ''muito bem, obrigada'' e a obra está caminhando.  Para se ter uma idéia, banheiro em estádio de futebol, bem, se é que me entendem... Mas lá?  Honestíssimo! E olha que fui no intervalo. Tudo para estar um nojo, mas me senti no Barra Shopping [bem, tipo sábado fim da tarde].

De resto, é futebol! É espetáculo no campo e fora dele! O vendedores de refrigerante, a torcida uníssona dando força ao time [não adiantou muito, é verdade]. A torcida adversária, que neste sábado não passava de 6 dezenas de cearenses, muito animados com aquele frio todo. E, claro, o narrador no radinho anunciando as Lojas Quero-Quero e as Botas 7 Léguas, entre uma narrativa e outra. 

O radinho numa orelha e o som da torcida na outra. Sentir aquele som entrando pelos poros é sentir-se viva! Quer experimentar? Trouxe um pouco aqui comigo, graças ao Iphone4, o melhor amigo de uma blogueira. Experimenta:

video

Estávamos bem ao lado da torcida jovem no primeiro tempo. Depois ao lado da charanga. Super emoção. Ao iniciar o jogo a primeira homenagem da torcida, que é minha predileta no país: ao Iarley, ex jogador do Inter, cearense e defendendo o Ceará em campo, foi ovacionado pela torcida do Colorada, tratado como herói numa inequívoca manifestação de gratidão àquele que tantas alegrias deu à torcida Colorada. Foi de arrepiar. 

foto do site Sportv.globo.com

Por ironia do destino, aqueles pés que tantos gols fez pelo Inter foram os que fizeram balançar a rede do time: goooool do Ceará no segundo tempo [tá, foi de cabeça o gol, eu sei, é licença poética]. Dali em diante, vitória do adversário em casa. Triste para os colorados gaúchos. Para mim, colorada e cearense de coração, foi espetáculo. Dois times muito bons, 22 jogadores raçudos em campo, 12mil espectadores na platéia, cantando, vibrando e torcendo.  A bola dançando para lá e para cá, num balé disputado lance a lance. Só alegria e a vitória de quem torce pela arte, a camaradagem, a beleza e o espetáculo.




domingo, 29 de maio de 2011

Diário de Bordo Porto Alegre V - Dia 1

Viagem: Porto Alegre: a capital desperta meus afetos e curiosidades no momento. Cá estou novamente, descobrindo cantinhos e segredos.

A cidade não é perfeita, seus filhos tampouco. Mas, é perfeita para mim, pelo menos por ora. Tem me ensinado muito sobre a estética do frio e a força das migrações européias na constituição desse povo chamado gaúcho.

Estive pela segunda vez no Café e Lojinha ''Lugar Maior'', das novas amigas Aline e Marta. Fica na Felipe Camarão [claro que no Bonfim, o bairro do meu coração] e é um lugar mágico: mistura de lojas de coisinhas lindas [tênis, roupas exclusivérrimas, livros  e adereços diversos] e cafeteria.

As meninas fazem panquecas de ''dulce de leche''. Adivinhem se eu A-MEI?! Além disso, servem uma cidra inglesa: Pascall, deliciosa!

 Entre as coisas lindas que se pode encontrar no Lugar Maior é artesanato porteño, como esses brinquedos feitos com papier maché e material metálico reciclável. Lindos, lindos! Desejei para mim.



No mesmo endereço fica a Joner Produções. Esse papel de parede [exclusivo] não é tudo? E a marca que marca o talento da Carla, não traduz com perfeição a 'origem controlada' do talento?

Quando for a Porto Alegre, não deixe de ir ao Bonfim, além do Lugar Maior, Quibe do Brique [que fica na mesma rua] há lugarzinhos incríveis nesse bairro charmoso da cidade.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Depoimento da professora Amanda Gurgel



Sem solucionar o hoje, não há redenção possível para o amanhã.


A frase

- ''eu quero ir mesmo sem saber aonde, é porque confio n'ocê''
- puxa...adorei essa frase... um dia conhecerei um homem e ele me amará e honrará com verdade e esse homem me dirá esta frase...

sábado, 14 de maio de 2011

Dicas de Brasília

Sábado ensolarado pede almoço à beira do Lago. Ótimo, então vamos para o Pontão do Lago Sul. Chopp gelado, bela vista, boa música - embora algo acima do volume - e, claro enjoy the day.

A escolha do lugar foi boa, já havia feito antes: Bierfass. A frequência não me convence, mas o chopp é 10! Os petiscos, em especial o ceviche é de responsa, no entanto, caímos na besteira de almoçar. Eis o começo do fim.

O menu não é dos mais bem combinados. Acompanhamentos como arroz biro biro, purê de batatas e pure de espinagre aparecem juntos, ladeando uma tal picanha de cordeiro. Sofrível. Se quer comer bem, digo, realmente bem, não vá ao Bierfass.

Se quer uma tarde de boa vista, chopp gelado e petiscos gostosos - mas com preço salgadérrimo - dá para ir.

Enfim... valeu a experiência, mas não compensa repetir.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Iogurte Cila

Tia Vera e Walderez - salvas do naufrágio do navio Itagiba 1942.


Coisa curiosa acaba de me acontecer. Acessei uma memória gustativa, um sabor da infância e imediatamente voltei àqueles dias. Quando criança, nas férias de verão em Fortaleza, experimentava os sabores da casa de minha avó Madalena e ouvia, atenta, as histórias e as estórias de meu avô Tito Canto. Lá experimentei sapoti - fruta predileta da época - biscoito maizena molhado no café e jerimum com leite.

Ainda há pouquinho, abri a geladeira despretensiosa, peguei um iogurte sabor natural, abri e ao sentir o cheiro imediatamente as sensações daqueles anos voltaram. Quase senti o gosto do iogurte Cila (será que ainda existe?) quando lambi a tampa metálica que cobria o laticínio. Fechei os olhos e viajei no túnel do tempo. Mergulhei nos doces anos em que as tardes eram feitas de brincadeiras no quintal e os sabores eram sempre novidade.

Era dada a fazer artes, criança curiosa que fui. Adorava explorar todas as possibilidades do 'bureau'' do meu avô. Feito de madeira maciça muitas vezes me diverti descobrindo o conteúdo das gavetas. Assim foi que certo dia encontrei a revista 43, que trazia foto dele e de minha tia Vera. Fora torpedeado o navio que os levava a Recife (vô, o que é torpedeado?) nos idos da Segunda Grande Guerra e razão pela qual o Brasil aderiu ao embate.

Sensação boa essa de saber de onde venho, ter lembranças, afetos... Quase posso sentir o vento de fim de tarde na varanda d'avó, o balanço da rede do vô. Quase posso ouvir sua voz chamando as'' três Marias'' para as sessões de estórias, hora dileta do dia.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

The Way We Were - Ending


Morre aos 93 anos, o roteirista Arthur Laurents, autor de roteiros como Nosso Amor de Ontem (acima) e West Side Story.

Fica minha homenagem por meio deste excelente diálogo escrito pelo mestre.

Que vá em paz e que os anjos o recebam bem!

STF e a União Estável entre Pessoas do Mesmo Sexo

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, nesta quinta-feira (5) a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar.


Os Heróis:


“Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marca da publicidade, devem ser reconhecidas pelo direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais”, disse Lewandowski.


“Onde há sociedade há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que tem e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. A Suprema Corte concederá aos homoafetivos mais que um projeto de vida, um projeto de felicidade”, afirmou Fux.


“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas”, ponderou Joaquim Barbosa.


As Heroínas:


“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.


“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”, disse a ministra Ellen Gracie.


E, Gilmar Mendes:


“As escolhas aqui são de fato dramáticas, difíceis. Me limito a reconhecer a existência dessa união, sem me pronunciar sobre outros desdobramentos”, afirmou. Em cima do muro...


E num momento lúcido:


''(...) É dever do estado de proteção e é dever da Corte Constitucional dar essa proteção se, de alguma forma, ela não foi engendrada ou concedida pelo órgão competente”, ponderou.


Vitória de brasileiros e brasileiras, trabalhadores, contribuintes que têm o direito de tratamento igualitários! 



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Hoje vou de... Ronald Mignone

Pomerade, Chagall - meu poema predileto de Chagall
Dor da falta

Tua ausência me corrói
Ainda sinto teu cheiro
Seu gosto está em minha boca
A solidão me dói

As flores estão no canteiro
Não preciso arrancá-las
Fico admirando-as... vivas


A felicidade bateu na minha porta
O sino tocou, intermitentemente
O amor quando bate, tem esse som
Reclama, arde, sente sua falta
Almas reunidas, 


O tempo não é nada
Ao mesmo tempo que é tudo
Tudo, tempo, nada...


E o amor perdura...