terça-feira, 26 de outubro de 2010

Diário de Bordo - São Paulo

Ir a São Paulo é louco e mágico. A Paulicéia é desvairada e o trânsito continua cada vez mais caótico. Tempo é dinheiro. E as pessoas estão sempre no corre-corre. Mas, vamos combinar, em São Paulo há muitos lugares bons para comer! Dá para estar lá 365 dias e não repetir um endereço, ficando 100% satisfeito em todos.

Ontem, de passagem pela cidade, aproveitei o intervalo entre a última reunião e o check-in em Congonhas para experimentar os famosíssimos pastéis de feijoada. Ué, nunca ouviu falar de pastéis de feijoada! Bem, eu tampouco. Como sou louca por uma novidade, não hesitei um só instante.


Não satisfeita e encantada com o cardápio delicioso, pedi linguiça tipo calabreza com provolone e orégano(hummm), acompanhada de pimentas biquinho - aquela linda que não arde - aproveitei cada pedacinho do acepipe que chegou à mesa cantando na frigideira de ferro.

E como ''miséria pouca é bobagem'', brindei com torresminhos super frescos e crocantes.

Claro que acompanhamos com uma geladíssima. Horas de imenso prazer entre amigas, rindo e contando estórias só nossas.

O pastel é feito no Barbirô, que fica ali na Vergueiro, 1889.



Respeite a autoria. Se for citar, dê crédito.

Infográfico by IlustreBob - Adorei!

1.
2.

3. Veja o panfleto num tamanho maior!
4. Via @IlustreBOB

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Respostas e Perguntas

Cansei de ter respostas prontas.

Agora me dou ao luxo de fazer perguntas.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Poderoso Chefão: Receita Inesquecível num Clássico do Cinema




''Um homem que não se dedica a familia





nunca será um homem de verdade''.



( O Poderoso Chefão, parte I, 1972)



The Godfather (no original) se tornou um épico, recheado de momentos inesquecíveis do cinema. Cenas como o tiroteio na barraca de frutas, o assassinato no restaurante, Don Vito no canteiro de tomates, toda a seqüência de Michael na Sicília e muitas outras, então vivas na memória dos cinéfilos mesmo quase 20 anos depois de seu lançamento.


Uma dessas cenas marcantes para mim, que amo receitas e cinema, é aquela em que um dos 'funcionários' de Don Corleone está preparando um espaguete e conta ao Michael, filho dileto do don, os segredos da receita tradicional italiana.


''primeiro refoga o alho e a cebola, junta as almôndegas, tomates frescos, e, claro, um pouco de polpa de tomates, tempera com sal, basílico e...'' vem o segredo revelado pelo cinema: junta uma colher de açúcar.


Infelizmente o homem precisa sair urgente para fazer um serviço  para o capo, nos deixando apenas o aroma e o sabor do espaguete a preencher a imaginação.


Na minha experiência sugiro que o alho seja aduzido apenas depois que as almôndegas já estejam quase douradas, antes de juntar os tomates frescos, a polpa e o manjericão. Isto porque, se juntamos antes o alho certamente irá ficar dourado demais, deixando um acento amargo marcante no molho. 


A massa, claro, deve estar ao dente. Esse ponto garante a manutenção da alma da pasta: firme, mas não crua e deve ser acompanhado de parmesão ralado na hora. 


A receita foi testada, e aprovada por Bella e Bito - os filhotes de plantão - num sábado à noite de família reunida. 


Para quem vai experimentar: Bom apetite!


Se você também tem uma receita bacana que viu em filmes, me conte. Vamos trocar figurinhas e publicar aqui as melhores receitas do cinema.






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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Diário de Bordo - Lisboa II

A viagem a Lisboa foi uma pausa na vida. Embora tenha ido a trabalho para A Coruña (é assim mesmo que se escreve em galego) e tenha tido uma reunião em Lisboa, todas as outras horas de minha estada em Portugal foram dedicadas a aproveitar os dias. 



Dias quentes aqueles,  jamais tinha ido à Europa no verão. Só de lembrar meus olhos se enchem daquele brilho distinto, e  deslizam lânguidos para o alto, buscando dar corpo às lembranças dos dias idos. 
Sentia-me feliz e abençoada só de estar ali, sentindo o tempo passar por mim preguiçoso, enquanto eu, feito criança, saltitava aqui, ali e acolá. 














Visitar o Museu do Fado foi uma experiência incrível. Confesso que entrei um pouco pelo tema e muito pelo calor que fazia fora. Sabia nada sobre o fado, exceto que é música tradicional lusa, que Chico Buarque compusera um e que Amália Rodrigues é uma de suas deusas. É claro que conheço Madredeus, que gosto sem saber se é fado ou não, mas me dêem licença poética para exagerar sobre minha ignorância a cerca do tema, afinal isso me garante algo de mágico à narrativa.



A ordem dada ao Museu não chega a ser de todo interessante, no entanto, o quanto aprendi cercada de fado por todos os lados, o quanto senti cada nota percorrer-me a pele, os olhos e os ouvidos num carinho envolvente e melancólico, como um fim de tarde com brisa, sem ser triste.
 
Descobri que há algo de contestação no fado, que nasceu nos portos de Lisboa. Algo que li no Museu e que, segundo alguns, por imprecisão histórica não está expresso, mas implícito aqui e acolá, como se os portugueses não se orgulhassem dessa origem popular e malandra do fado. Confesso aos irmãos do outro lado do oceano, que foi justamente essas origens 'na resistência' que mais me encantaram. 

A cada linha que lia sobre a história do fado em seu museu, lembrava-me da história da capoeira no Brasil, razão de rótulos e comentários que ligavam  sua prática à vadiagem e à vida desregrada das periferias, dos portos em nosso país.

Bebendo um pouco mais na fonte, não pude deixar de relacioná-lo ao movimento hip hop e via, no fado, um irmão bem mais velho do rap, por suas origens e sua história ligada ao povo, às ruas e aos primórdios da globalização construída por Portugal no período das grandes navegações. 

Há, certamente no fado, um lirismo melancólico da gente do lado de lá do oceano, que é fascinante. As horas no Museu passaram sem que eu pudesse sorver tudo o que me poderia proporcionar. Saí triste por não poder ver tudo, mas com uma felicidade intimista, que creio, só o fado pode propiciar. 

foto:Maria Cláudia Cabral
Em frente ao Museu está o Largo do Chafariz de Dentro, em que charmosas tascas servem a esplêndida comida portuguesa - com certeza! Lá, experimentei Ameijoas à Bulhão Pato, iguaria tradicional que enlouquece os sentidos. Estando de frente para o Largo, o primeiro restaurante a sua esquerda, serve as melhores ameijoas que provei em Lisboa, combinadas com super simpático atendimento de Cecília e uma geladíssima completaram mais uma tarde  incrível na capital lusa. Recomendo fortemente a experiência (da capital lusa, do museu do fado e da gelada com ameijoas no Largo).


Se você, como eu, quis saber mais, sugiro abaixo alguns links que tratam sobre o fado:

http://www.edusurfa.pt/Area.asp?seccao=2&area=6&artigoid=7907

 http://pt.shvoong.com/books/1735220-hist%C3%B3ria-fado/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fado

http://youtube.com/fado




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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Há Muitas Marias em Mim


Há muitas Marias em mim:

Maria das Graças, Maria Das Dores
Maria Aparecida, Maria Auxiliadora
Maria-Maria
Maria, lutadora

Há Maria Sem-Vergonha
Maria Imaculada,
Maria sonhadora, Maria desbocada


Há Maria Madalena,
Maria Anunciada,
Maria, Marias
Maria, inconformada

Há Maria sem-certeza
Maria gasolina,
Maria sem terra, sem teto
Maria, deslocada

Cadê Maria Coragem
Maria cheia-de-graça
Maria, só Maria
Maria, descolada?

Há tantas Marias em mim,
Tantas que nem sei dizer

Maria faca-na-bota,
Maria, Mariazinha

Cá está Maria, simplesmente Marias.








terça-feira, 12 de outubro de 2010

Feitiço da Lua

No final dos 80 tive a oportunidade de ver Cher no cinema protagonizando um triangulo amoroso com Nicolas Cage e Vincent Gardenia. Era Feitiço da Lua, comédia de costumes de Norman Jewison, lançado em 1987.

Há nessa película algo de inesquecível, a receita de ovo com pão de forma, que trago a vida inteira comigo. Quando quis que meus filhos experimentassem ovo, foi com essa receita que eu os encantei. Eu a chamava Ovo Mágico e eles até hoje, já crescidos, vez ou outra, me pedem para fazer o Ovo Mágico. Foi assim nesse feriado.

É uma receita bem simples, fácil de fazer, deliciosa e boa para aqueles que gostam de dormir até mais tarde no domingo (ou no feriado). 

Posso garantir que também é ótima quando quiser fazer uma graça com o/a namorado/a, servindo um desjejum charmoso. Neste caso, recomendo fortemente que prepare uma bela bandeja e leve na cama, tiro e queda.

Para fazer Ovos Mágicos basta:

  • Ovos
  • Manteiga (por favor, use manteiga e não margarina, salvo se tiver problemas com colesterol ou artérias obstruídas);
  • Pão de forma, preferencialmente integral;
  • Sal à gosto.

É um tanto contraditório fazer questão de manteiga e não abrir mão do pão integral'. Bom, penso que já estou investindo meus créditos na manteiga, então, preciso garantir pelo menos o pão integral.
Para prepará-los, como disse, é simples:

Colocar um pouquinho - pouco mesmo - de manteiga para derreter na frigideira (antiaderente). Tomar uma fatia de pão, remover um pequeno pedaço do centro, formando um círculo de aproximadamente 3cm de diâmetro. Colocar sobre a manteiga aquecida por alguns segundos, virar o pão e colocar mais uma porçãozinha de manteiga dentro do círculo e abrir o ovo nesse espaço. Fogo brando. Tampe para que possa cozinhar por igual, mas...

...Não vai cozinhar por igual, são décadas tentando, acredite. Em algum momento você precisará virar o pão. Neste caso, faça rapidamente e sem quebrar a gema (fica feio). Deixe por alguns segundos, apenas para finalizar o cozimento da clara. 

Deite sobre um prato, com a gema para cima e acompanhe com café, uma fruta e um laticínio, a fim de que a refeição seja nutritivamente completa.


Delicioso e aconchegante. Enjoy it!




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sábado, 9 de outubro de 2010

Sonhos

Talvez não haja maior solidão do que a da pessoa que sonha sozinha.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Receita na Madrugada

Acontece comigo algo curioso quando vou a Porto Alegre, bah! Acordo no meio da noite com alguma receita diferente na cabeça. Este ano fui duas vezes à cidade e foi tiro certo. A primeira foi em maio e era quase uma estréia. Missão de trabalho, mas um trabalho que me encheu os olhos e o coração de alegria. Fui para a Feira Nacional de Agricultura e Reforma Agrária - Brasil Rural Contemporâneo.

Entre tantos empreendimentos de Agricultural Familiar no Brasil, tive acesso a sabores incríveis. Produtos orgânicos ou produzidos a partir de matéria prima orgânica, plantados e colhidos por famílias agricultoras de várias partes do país. Assim conheci Anete, uma figura linda e mágica. Anete cria geléias e antepastos incríveis em Rolândia, no Paraná.

Eu, conversadeira que sou, louca por forno e por fogão, estiquei uma conversinha com Anete entre uma corrida aqui e outra acolá. Papo vai, papo vem Anete me desafia 'E com essa geléia aqui, que prato você faria?'

O sabor era incrível, fresco, levemente ácido, sutilmente apimentado... Hummm. Em fração de segundos vi diante de mim um maravilhoso lombo de filhote, branco e tenro.

- Filhote! - respondi - ficaria maravilhosa acompanhando um lombo de filhote assado, Anete.

-Filhote?

-Sim, é um peixe da Amazônia espetacular, também conhecido na região como piraíba. Carne tenra e muito branca, o filhote pode chegar a 2m de cumprimento e a pesar 300kg e fica excelente assado, grelhado, preservado seu sabor delicado e único. 

Pouco depois despedimo-nos e eu segui o corre-corre do dia e da noite. Cheguei ao hotel exausta, tanto que caí na cama o mais cedo que pude e apaguei. Meio da madrugada meus olhos se abrem alertas. Olho o relógio que luminoso marca 03:25. Sento na cama, tento entender o que se passa. E aí vem...

Lombo de filhote assado, temperado apenas com sal e sementes de coentro moídas, acompanhado de risoto de abóbora menina puxado em leite especial de castanhas e a maravilhosa geléia de Anete. Em fast motion vi o prato sendo preparado bem diante dos meus olhos, enquanto as papilas gustativas se ouriçavam e a boca enchia-se d'água.

Dia seguinte, logo cedo fui procurar Anete. Descrevi a receita em minúcias e disse categórica: 'Vai ficar maravilhoso!' 

 - Estou certa que sim. Um chef que passou por aqui, ao provar a geléia, disse o mesmo quanto ao filhote.


Desde então espero uma alma caridosa que me traga um belo lombo de filhote da Amazônia para que possa materializar a comunicação vinda do além. Filhotes encontrados na Feira do Guará  são pequeninos, medem cerca de 50cm (máximo que já encontrei) não têm o lombo do sonho.Sigo desejando experimentar essa primeira receita vinda do além, a outra já foi testada e aprovada pelos amigos e será compartilhada aqui em algum próximo post.

Por hora, com fome desejo a todos: Bom apetite!







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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Bastardos Inglórios - Eleições 2010BR

''Os Nazis conquistaram a Europa com mortes, torturas, intimidação e terror. É exatamente isso que faremos com eles''. (Aldo Raine, in Bastardos Inglórios).




Hoje me perguntaram qual a diferença entre Aldo Raine (Brad Pitt) e Hans Landa (Christoph Waltz). Disse que enquanto um (Aldo) praticava a violência física, o outro (Hans) praticava a violência psicológica. No frigir dos ovos, apesar de estarem em lados opostos, farinha do mesmo saco. Meu interlocutor então disse que para ele:
- Apenas um deles vencera a guerra.

-Sim - respondi - não há diferença entre eles. Assim como a jovem Shosanna Dreyfuss também não se diferencia de ambos. 

Isto porque, todos, absolutamente todos usaram de violência para expressarem e garantirem sua posição. Embora parecesse que havia dois lados, apenas um foi expresso: vigança e violência. Era preciso vencer a guerra! 

Nós, espectadores do filme de Tarantino, também expressamos: violência e vingança. Afinal, atire a primeira pedra quem não vibrou com a imagem incandescente de Shosanna Dreyfuss na imensa tela do cinema - abarrotado de nazis - em chamas. Naquele instante todas e todos encarnamos a madrasta má de Branca de Neve e rimos o riso da vingança. Sim, há muita humanidade em nós. Tanta que somos feitos de silêncio e de sons, de violência e ternura. 

Hoje, em nosso país, apesar de não estarmos em guerra, a fim de chegar ao 2º turno, assistimos mentira, calúnia, difamação, intolerância contra Dilma Roussef e o PT. Vimos o PIG e alguns setores evangélicos e católicos agirem como nazi facistas incitando o ódio, semeando a discórdia, a mentira e a calúnia. Como vamos responder a isso no segundo turno? Empunharemos as mesmas armas ou superaremos a dor da mentira semeando a verdade?

Para mim, momento de reafirmarmos a verdade e a ética. Momento de nos distanciarmos da história de morte, tortura, dor, manipulação e mentira e reeafirmarmos os sons, mais que o silêncio; a ternura, mais que a violência e seguirmos adiante em direção ao Brasil que queremos. Um país com mais cultura, mais educação, mais moradia, mais emprego e renda, mais saúde, mais transporte e menos miséria. MAIS ÉTICA, menos mentira. Um país que mudou os rumos da história e quer continuar mudando.




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Hoje vou de... Clarice Lispector

Sempre que leio Clarice, sinto-me mais perto de mim. 


"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias." Clarice Lispector.



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Maria Rita Kehl e a Era das Possibilidades

Vinculo abaixo, o artigo de Maria Rita Kehl, publicado no Estadão e que colocou a moça de joelhos no milho, virada para a parede, lamentavelmente.


Internet, disse outro dia na roda de prosa sobre Culturadigital, é a expressão máxima do que chamo A Era das Possibilidades. Mas para viver esta Era temos de estar prontos para aceitar de fato que a liberdade de expressão  é para todos/as.

Para vivê-la bem, temos de exercitar os ouvidos abertos, a mente e o coração abertos. Estar prontos para discutir idéias e não ideologias. Abrir espaço para o debate que constrói novos caminhos para a qualidade de vida não apenas de nossa espécie, mas de todo o planeta. 

Respeitar as diferenças, inclusive em relação àqueles que estão ''do outro lado'', preservando a ética e o jogo limpo, em que todos/as ganham. 

Afinal, o que há no mundo, há em nós, inclusive ''o outro lado'', revire seus velhos baús e ainda haverá de supreender-se encontrando pensamentos, sentimentos ou experiências em que ''o outro lado'' se mostrou em você.

Não há por que envergonhar-se disso, conhece-te a ti mesmo, já dizia o filósofo, por que só conhecendo o que se passa dentro, entendo, compreenderemos o que se expressa fora.






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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Deus e o Diabo na Terra do Sol - Eleições 2010BR

Enquanto Dilma ia às igrejas católica e às evangélicas para esclarecer que 'não, não era a favor do aborto', Marina Silva, a ''Davizinha'', ia crescendo nas pesquisas por força da ação viral de fariseus que a apóiam. Milhares de e-mails despejados nas caixas de mensagens, veiculados por 'pastores' das igrejas evangélicas que a apoiávam, contendo os maiores absurdos, impropriedades e, inclusive mentiras e distorções explícitas. 

Não sei exatamente em que ponto dessa história toda Marina deixou de ser a aquela que representava a ética na política para se juntar à máxima ''os fins justificam os meios''. Assim como não sei como Dilma, a mulher guerreira, defensora de direitos - das mulheres -  chegou a curvar-se diante do clero. 

O fato é que desde que escolheu quem escolheu como aliado, Marina vem crescendo em popularidade e descrescendo em fidelidade a seus ideais(?).  De algum modo, como Dilma, que ao mitigar às lutas feministas, afasta-se de sua história em nome da vitória. 

Ambas traem a si mesmas, e os/as eleitores/as de Dilma, conscientes da verdade, solidarizam-se com a imolação e erguem-se em defesa do bem maior da coletividade, enquanto eleitores/as de Marina, sequer se dão conta de que ao repassarem mensagens mentirosas com o fito de alterarem a verdade, repetem um gesto tão conhecido dos cristãos: condenam injustamente diante de Poncio Pilatos, em troca da ilusão da vitória.  

Vitória de quem? Naquele caso, o libertado para seguir adiante foi um ladrão. E aqui/agora? Vitória de quem?

Poderia dizer que na minha humilde opinião, de cidadã-eleitora, enquanto Dilma ''se entregou'' a Deus, Marina vendeu a alma ao Diabo. Qual delas afastou-se mais de si mesma, afinal? Qual delas, deixou a luz para deitar-se com a sombra? 

Dilma afastou-se da luta feminista, em alguma medida, mas não da verdade. Ela, de fato, é contra o aborto. E em nome do restabelecimento da verdade, buscou as igrejas.

Marina, no entanto, permitiu que as mensagens desonestas espalhadas pela internet fossem veículo de sua expansão eleitoral, com isso, compactuou com a mentira, com a falsidade, com a falta de ética. Não poderia estar sorrindo, acreditando que fora votada por sua capacidade de ''propor (propôs?) soluções para os ''graves problemas'' do Brasil. Deitou-se com a sombra, entregando sua alma em troca de poder e de prestígio. Prazeres tão mundanos.

Ainda me indigno com o esse tipo de jogo político sujo que usa de mentiras para diminuir a próxima a fim de fazê-la de escada, em lugar de debater a sério os rumos do país.

Embora meu voto não fosse de Marina, eu a admirava antes das eleições. Marina me desapontou ao longo de todo o processo, e ceifou de vez todo meu respeito por ela quando silenciou diante da mentira em nome do acumulo de capital político para seguir no jogo, mesmo fora dele. O que acreditava que havia de melhor nela murchou. Foi cooptada, vendeu a alma ao Diabo por ação e por omissão. 

No frigir dos ovos, o mais importante - e preocupante - é que voltamos a Idade Média, mais conhecida como Idade das Trevas: Eis as igrejas com a faca e o queijo na mão para ditar a quem o povo delegará seu poder soberano.




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sábado, 2 de outubro de 2010

Funcho

Descobri o funcho como alimento recentemente. Tive um estreito contato com ele quando a Bella nasceu. Naquela ocasião havia uma surto em Brasília de funchicória, um pó branco, vendido em farmácias de manipulação que servia para as cólicas dos bebês. Minha experiência com as cólicas da Bella e a funchicória  foi boa, mas não mágica.

Mas, saibam que embora soubesse naquela época tratar-se de um vegetal, assim como a chicória, para mim era um ser de outro planeta. Jamais havia visto aquilo na vida real, apenas em forma de pó.

Eis que dia desses, acompanhando Jamie Oliver, vi pela primeira vez o vegetal aí em cima: Funcho. Ele é uma espécie de erva-doce e todas as suas partes são comestíveis. É um alimento funcional, excelente para o sistema digestivo, sendo também antisséptico. Decidi que ia fazer a tal receita de funcho.

Fui ao mercado comprei um bulbo e pensei: O quê acompanhar? Funcho é excelente acompanhamento para peixes, mas, segundo Jamie acompanha também suínos, cordeiro e frango, além de ser alma gêmea para batatas. Encontrei belos filés de suíno, passeei um pouco mais entre as gôndolas do super e decidi fazer batatas, assim, se Bella não gostasse do funcho havia a opção de uma de suas referências prediletas: batatas assadas recheadas.
foto: Blog As Minhas Receitas


O funcho fiz exatamente como Jamie ensinou no GNT, apenas substituindo vermute por martini. Na verdade escolhi o Martini por eliminação: era o que de mais saboroso havia entre as bebidas destiladas da casa de K. O tempo de forno deve ser seguido à risca para que o funcho fique macio, porém ainda com alma (al dente). Evite deixar passar demais para que não perca o melhor de sua textura crocante.

Preparada a travessa do funcho, separei e pus-me a fazer as batatas. Em geral eu as preparo no forno, sem papel alumínio, embora demore mais, a casca fica super crocante o que confere um som especial a elas. No entanto, como estava testando uma nova receita, não queria que nada desviasse a atenção do funcho. Preferi assá-las no microondas. Funciona bem, desde que a crocância da casca não faça parte de sua wish list.

Vale lembrar que ao assar batatas no microondas é importante fazer furos na casca com a ponta de um garfo, para que não explodam. No meu caso, eram 3 batatas grandes, meu micro já chegou à maioridade - mesmo! - então precisaria de duas sessões de 6 minutos cada. No intervalo virei as batatas. Findo esse processo, abri as batatas e as recheei com bacon bem magro assado, manteiga de verdade e requeijão cremoso. Em lugar do requeijão fica muito bom cheddar, mas não consigo encontrar o tal queijo, apenas arremedos dele nos mercados da cidade. Tendo-as recheado, deixei-as esperando a última forma, enquanto os funchos assavam em forno convencional.

Os files de suíno foram temperados apenas com sal e pimenta do reino e cobertos com generosas rodelas de limão siciliano. Confesso que fiquei viciada neles por causa do Jamie. Jamais havia feito file de suíno, eles estavam abertos em bife, assim decidi grelhá-los, com a eterna preocupação de que a carne ficasse bem cozida, afinal aprendi nos tempos idos - e há muito idos - que carne de porco deve ser muiiiiiiiiiiito bem cozida. Gostaria, talvez, de sentir-me livre dessa crença, já que cortes magros de porco ficam um pouco secos se assados demais.

No final do cozimento do funcho tínhamos os bifes grelhados, as batatas um último minuto no micro, para mesclar manteiga, requeijão e panceta com a maciez das inglesas.

Resultado:

Funchos assados são deliciosos, tem um sabor refrescante, que lembra anis.

As batatas ficaram boas, no entanto, ainda prefiro a versão com casca crocante, além de terem uma cor mais apetitosa, ficam realmente mais saborosas.

Dos suínos, prefiro outras partes. O filé é um pedaço perfeito, sem retoques e, por isso mesmo, previsível. Não há como dar errado, no entanto, tampouco provoca emoções desconcertantes. Filés suínos são como pessoas que seguem todas as regras da moralidade do corpo, não permitindo que sua alma imoral manifeste-se vez ou outra.

Bella experimentou o funcho sem sacrifícios, chegou mesmo a gostar da receita, sem grandes paixões. Segue tendo escancarada preferência pelas batatas recheadas com filé de porquinho.

Autocrítica: Deixei passar um pouco o tempo do funcho, de maneira que ele ficou macio deeemais. Não à toa, recomendei acima obediência cega ao tempo sugerido por Jamie.

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