terça-feira, 13 de julho de 2010

The Holiday

O Amor não Tira Férias - The Holiday (confira o trailler) : Duas mulheres, Iris (Kate Winslet) e Amanda (Cameron Diaz), duas histórias de frustração afetiva. Duas mulheres contemporâneas cansadas de bad romance e uma frase perfeita para reflexão, pronunciada por Arthur Abott (Elli Wallach), velho roteirista de Hollywood, dá origem ao presente texto:

''Iris, nos filmes tem a atriz principal e a coadjuvante: a melhor amiga. Todavia, posso afirmar que você é a atriz principal, mas por alguma razão que não se justifica, você está agindo como a melhor amiga (a coadjuvante).''


O que faz com que mulheres bonitas, independentes financeiramente, realizadas profissionalmente se coloquem no papel de 'melhores amigas' ou atrizes 'coadjuvantes'? Por que algumas mulheres 'atraem' esse tipo de situação?

Fácil observar que diversos são os  fatores que podem levar uma mulher a colocar-se no papel de coadjuvante, fatores sociais, culturais e individuais. Difícil é fazê-las perceber que essa é uma escolha delas, ainda que inconscientemente.

Vivemos numa sociedade - a ocidental - marcada pela tradição judaico-cristã que esquartejou a mulher em pelo menos três partes, a saber: a puta, a santa e a pecadora redimida. Daí se depreende pelo menos três arquétipos femininos.

 
 A figura da santa,  representada por Maria, mãe de Jesus que de tão pura concebeu por meio do Espírito Santo. Devotada ao filho, Maria não tem outra identidade senão aquela da boa moça que fecundada por milagre gerou e deu a luz ao Filho de Deus. Maria é, portanto, assexuada. Maria não está em questão no filme que ora analisamos.




A pecadora redimida é na verdade a mãe de todo o pecado e de todas as culpas que as mulheres carregam nos ombros por séculos. Nada mais, nada menos que Eva. Aquela que, por fraqueza, por curiosidade e  por  desobediência não apenas comeu do fruto proibido: da árvore do conhecimento, como também induziu o marido a fazê-lo causando um enorme e irreparável dano à família: a expulsão do paraíso. Por tal pecado foi condenada - e condenou - todas a mulheres do planeta, ''por  ordem do Criador'', a sangrarem todos os meses, sentirem dores ao parir e os homens a trabalhar para se alimentar. Sua culpa e seu arrependimento foiram tamanhos que tornou-se a esposa obediente e a companheira fiel dali em diante.



 E a Puta? Bem, essa é representada po Lilith - a mulher demônio. Embora alguns antigos livros sagrados do judaísmo falem nela, como o Talmud, a Bíblia omite sua existência. Lilith teria sido a primeira esposa de Adão. Aquela que percebendo a submissão que lhe queria impor Adão, rebelou-se e questionou. Não satisfeita, partiu em busca de outras possibilidades. Lilith é a mulher que se permite o prazer e que luta por igualdade. Lilith - a mulher demônio. Lilith, a puta. 




 Ao separá-las em três arquétipos distintos, as mulheres foram também partidas. Ao longo dos séculos tinham de escolher - como têm até os dias de hoje - entre viver o prazer sexual e a igualdade social/profssional ; ser a esposa devotada, companheira e obediente e; a mãe dedicada à prole. Resultado: identidades esfaceladas, conflitos internos. 

Mas por que estou trazendo arquétipos femininos para falar sobre a frase do filme? Procuro refletir, na verdade, a escolha - inconsciente - é verdade, de Iris, de Amanda e de muitas mulheres.

Incapaz de sustentar a idéia de ser una, a mulher que optou por ser Lilith não consegue realizar-se como Eva e/ou como Maria. Assim também, aquela que optou pela identidade de Eva - Amélia - não se realiza profissionalmente de forma plena; assim também as dedicadas mães, que após a maternidade perdem-se nesse mandato inconsciente de assexualidade.  

No caso do filme, Amanda é  Lilith que talvez inconscientemente acredita que Liliths não podem viver no paraíso, sem abrir mão de sua independência e sem abrir mão de seu prazer. Por isso, mesmo rica, bonita e profissionalmente bem sucedida atrai homens que provem que sua crença é verdadeira: homens infiéis, neste caso. OU pior que isso, Amanda não permite intimidade, não se entrega ao relacionamento e, se ele não é infiel, torna-se infiel por não sentir-se parte da vida dela. Confirma-se a crença: Lilith não pode ter prazer, igualdade E felicidade numa relação a dois. A crença - como construção cultural e pessoal - confirma-se na vida de Amanda.

Iris, por outro lado, é uma mulher sensível, que se entrega ao relacionamento com um homem que não a ama. Ela é uma profissional mediana, com uma vidinha igualmente mediana. Embora tenha inteligência, sensibilidade e humor suficientes para ser uma profissional bem sucedida e independente.Embora seja uma bela mulher, age com subserviência em relação ao parceiro que a tem quando e como quer. Iris é uma mulher obediente e bem comportado, que espera - inconscientemente - ser recompensada por seu bom comportamento com o título magnífico de esposa. Iris quer realizar o ideal de Eva. E como tal traz em si a culpa do pecado original, que a faz crer que por ser culpada não tem direito a ser tratada com respeito, consideração e afeto reais. Iris se desdobra em subserviência para merecer seu lugar de esposa. E, por ser tão disponível e 'amiga', torna-se a segunda opção, a amiga compreensiva, a atriz coadjuvante de sua própria estória. 

Sim, Iris escolheu ser coadjuvante, como muitas mulheres têm escolhido. Nada justifica sua escolha, mas a confirmação da crença de que a mulher é culpada pelo pecado original e que apenas sendo obediente, compreensiva e subserviente pode merecer o título de esposa - pior - que seu valor está atrelado a tal título que a valida como mulher e que somente pode ser dado pelo outro (o homem), explica. Ela deixa de ser o ser que É, e passa a refletir a imagem que o outro faz dela, ou talvez melhor, a projeção de sua auto-imagem distorcida. 

Para Iris, Amanda e tantas  mulheres deste século, esses arquétipos, as crenças e as impregnações são tão fortes que as fazem repetir padrões de comportamento que apenas reforçam o que a cultura, a sociedade e a experiência lhes tem ensinado ao longo dos séculos.  Por sorte, hoje, algumas mulheres vêm desconstruindo Amélia    seja por meio de psicoterapia, seja através de trabalhos de corporificação da consciência, seja por pura e simples rebeldia.





Para saber mais sobre os três arquétipos:
http://www.templodoconhecimento.com/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=431

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Eu e o Cinema

''Eu adoro essa parte. A luz vai se apagando devagarzinho. O mundo lá fora vai se apagando devagarzinho. Os olhos da gente vão se abrindo e daqui a pouco a gente não vai mais nem lembrar que tá aqui. (...) A gente vai conhecer um monte de pessoas novas, um monte de problemas que a gente não pode resolver, porque só eles podem. Vamos ver como e quando'' (Lisbela, em Lisbela e o Prisioneiro).

Cinema essa mágica luz que alumia almas e faz viajar por lugares nunca antes visitados, por estórias improváveis ou verdadeiras - narradas de modo encantador  ou apenas documentadas. Cinema que embalou sonhos e desejos. Cinema que foi o caminho  para fazer amigos numa cidade desconhecida para a qual me mudei há alguns anos atrás e que me possibilitou publicar os primeiros textos no Arcamundo.

Naquele tempo, a saída que encontrei para me enturmar foi o Orkut. Lá encontrei a comunidade Cinéfilos de Goiânia, onde, insistente, participava de debates havidos entre seis cinéfilos verdadeiramente aficcionados eteimosos. E eu era a mulherzinha de Brasília - brasilienses estão para goianos assim como paulistas estão para cariocas, não necessariamente nessa mesma ordem - que ficava furando os debates, dando palpites e provocando a discórdia nas até então discussões exclusivamente masculinas da comunidade.  Foi um tempo maravilhoso e sou imensamente grata pelas inestimáveis lições aprendidas com Rafa, Rafa Parrode, Vini, Cadu, Fabrício, Valber e André. 

Claro que tantas discussões on-line acabaram por incentivar encontros reais - sempre em cinemas locais -  com ótimas discussões em barzinhos da cidade. Depois algumas figuras inesquecíveis se juntaram ao grupo: Camila - a mãe do Arcamundo - Elissa, guerreira incansável das causas de esquerda e algumas namoradas que vinham e iam.  Por fim, criamos nós mesmos uma nova comunidade: Cinema, Diversão e Arte que resiste bravamente no Orkut até hoje. 

Mas para quê essa história toda, afinal? Tudo isso é um pouco para matar saudades dessa turma com a qual há muito não tenho contato e muito é para dizer da importância e do meu afeto e gratidão por eles e pelo cinema.

Embora não seja uma crítica do gabarito de Fabrício ou Parrode, sou o tipo que analisa num filme aspectos da construção das personagens e sua coerência, além de ser aficcionada pelos roteiros e seus textos maravilhosos. Sou ligadíssima em frases de cinema, razão pela qual não resisti dia desses e adquiri um livro chamado '' Os Melhores Diálogos do Cinema'' de P.Fendler.  Não sei se posso concordar com o autor sobre serem os melhores diálogos, mas certamente a maior parte dos textos selecionados pelo autor são muito bons, tão bons que decidi escrever - a partir dos diálogos selecionados por Fendler - crônicas ou contos, quem sabe.

O livro traz 229 diálogos do cinema. 229 pérolas dos clássicos aos contemporâneos. E vou escrever a partir da próxima terça-feira (homenagem ao Arcamundo) sobre os 229 textos selecionados por Fendler. A cada nova terça-feira, um novo texto. Espero que findos os 229 tenhamos outros 229 sugeridos pelos leitores do Blog para que possamos seguir surfando nas maravilhosas frases de cinema.

Nosso primeiro diálogo será o do filme The Holiday. Aguardem! 

P.S. Esse projeto dedico a@s amig@s de Cinéfilos de Goiânia, a@s companheir@s do Arcamundo, em especial Vini, Cadu e Camila.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sobre o Dia Seguinte

Alberto,

Creio que Anita, mesmo tendo suas próprias confissões, não consegue atualizar Caio diante das revelações feitas por ele - ou à revelia dele. Sim, Caio era um homem ideal. Talvez fruto da imaginação de Anita, certamente produto de minha onipotência autoral, fruto de arrogância criadora.

Sinto-me devastada. É como se tivessem me arrastado por quilômetros de estrada de piçarra em alta velocidade. Estou em carne viva e, mesmo tendo recebido infalíveis unguentos, ataduras limpas e secas, todos os cuidados para evitar a sepcemia, ardo em febre. Meu corpo não pode ser sequer tocado, minha alma vagueia por entre as palavras que ouço longe, longe, mesmo tendo sido pronunciadas por minha própria boca.

Apenas a dor está aqui e é tão feia que assusta os mais bravos cavaleiros, as mais corajosas Amazonas. Desejo desaparecer por uns dias do planeta. Dar uma volta em torno do sol e buscar lá - quem sabe - uma outra energia. Energia renovadora, renovada.

A força das minhas entranhas me acompanha, graças a elas resisto a tamanha covardia. E delas me reinvento enquanto, pouco a pouco, o tecido eptelial se reconstituí. É lento esse processo de cura, até que se cria a casca e, sob a casca protetora, se reconstitui a pele - fina e delicada no princípio - sensível, porém firme depois da cura. É um processo lento, que exige força, firmeza e paciência de quem cuida o corpo ferido, a alma devastada.

Pode parecer, caro Alberto, que sua interlocutora já não é a mesma. Creia, não é mesmo. Há semanas vem-lhe sendo seifada a vitalidade (e ela está permitindo).Mas como bem disse Pessoa, o poeta afinal é um fingidor (...) Assim, entra por uma porta e sai pela outra e quem quiser que chore outra.

O que é real nessa história toda, afinal? Não sei. Só sei que é assim que meus dedos sôfregos quiseram tocar o teclado. E eu permiti.

Aguarde, em breve Anita, com sua autora já recuperada do turbilhão em que se encontra, retomará as cartas. Talvez inspirada por Rosa, talvez por Simone, talvez por ela mesma, que não é mulher de não se bastar, essa Anita Lopes.

Forte abraço de quem muito te ama.

Maria Cláudia Cabral
Caio,

Já não sei o que sinto, nem mesmo tenho certeza de quem fui ao seu lado. Não sei tampouco quem sou agora, diante das revelações.

Perdoe meu silêncio por um tempo que não saberei precisar qual será, mas que certamente é necessário para compreender tudo o quanto li dias atrás, tudo quanto soube hoje de ti.

Até,

A.L.

 http://cartasdeanita.blogspot.com/2010/06/bilhete.html

terça-feira, 8 de junho de 2010

X Carta a Caio Marques - confissões

Querido Caio,


Não sei como dizer... Já não sabia,  agora urge contar-te. Meu coração se aperta. Já deveria ter compartilhado contigo. Mas não fui capaz. Não fui capaz porque meu coração se espreme no peito ao pensar que nossos vínculos, mesmo indestrutíveis, estão laceando. Mais precisamente, que o amor que sinto talvez já não seja o mesmo amor, assim como a flor do Ipê Rosa a cada estação já não é a mesma flor. Sinto falta de amá-lo assim, amiúde, intensa e incondicionalmente. Sinto falta de estar apaixonada irremediavelmente por ti. Por isso venho adiando o momento de dizer-te...

...Meus olhos encontraram outros olhos durante a última viagem.  Enquanto meu coração disparava, ainda que discretamente, entristecia-se solitário, sem ter com quem dividir o peso dessa perda. Perdi o amor que sentia, eu o vi escorrer por entre os dedos. Agora era fato: Meus olhos viram outros olhos.

Vinha sentindo a nuca aquecer-se em pleno inverno. Sentia um olhar insistente bem atrás de mim, frequentemente. Virei delicadamente a cabeça - mas não completamente - e vi. Vi aquele olhar acinzentado: intenso e expressivo a me mirar. Voltei-me novamente para frente, mãos úmidas. Não era possível. Não estava acontecendo - dividi com meus botões.

Os dias se passavam e aqueles olhos ainda aqueciam minha nuca. Não era apenas uma sensação. Quando me virava lá estavam os olhos dele me fitando fixamente, com lábios que ensaiavam um sorriso incerto. As noites também passavam, aqueles olhos não tinham nome, nem voz e mesmo assim estava convicta de que já os conhecia, mesmo sem jamais tê-los visto antes.

Buscava-te em vão na caixa de correspondências. Gritava seu nome em silêncio e não me ouvias. Supliquei tua atenção, mas estavas ausente. Completamente ausente.

Último dia, após o trabalho intenso, saímos todos a comer e a beber juntos. Saímos para confraternizar e comemorar o êxito de nossa empreitada. Lá estavam eles a me fitar. Não pude deixar de retribuir o olhar, ainda que por alguns segundos apenas. Deixara, quase sem querer, escapar um sorriso contido, encabulado. Sorriso de menina.

Encontrei aqueles olhos acinzentados. Despedimo-nos numa esquina próxima ao meu hotel, lugar em que me deixou após o jantar, como il faut, e a promessa de nos vermos breve e muitas coisas para contar.

Foi assim. Suave e terno. Apenas olhar, leve embriaguez e sorrisos, mas foi. E agora que vens, devo adverti-lo que também ele estará na cidade nesse período. Chegará daqui a dois dias. Não sei se nossos olhares serão cúmplices novamente, mas nossa correspondência incessante indica que, de sorrateiro e tímidos, nossos olhos brilharão mais intensamente.

Não sei ser como tu. Não sei ser fragmentada, meus olhos se voltam apenas para um olhar por vez. Sou inteira em todas as minhas relações. Sigo inteira contigo, amando-te incondicionalmente como um dos mais ternos e próximos amigos que já tive. A vida segue, afinal. 

Sua amiga sempre,

A.L.

Vide Verso Virtual - Carta a Alberto

Querido Alberto,

Estamos mesmo muito sintonizados sempre. Diria que até foi bom não ter visto tua resposta à carta do Ipê antes de escrever a que acabo de postar. É fato: nossas mentes conversam durante nosso sono.

É momento de confissões entre Caio e Anita. Adorei a confissão de Caio, fez dele alguém muito mais humano, muito mais real. Afastou de Anita Caio idealizado, aquele que ela teima em achar que é 'o cara'.

Estou lendo Tête-à-Tête, sobre a vida de Simone de Beauvoir e Sartre. Talvez também não seja por acaso. Mas acho que Caio e Anita talvez não tenham o vanguardismo do Castor e de Sartre. Anita, estou certa, compartilha as entrelinhas de Simone, assim como tem em comum com Rosa de Luxemburgo a dicotomia entre a modernidade e a paixão.

Vamos ver como esta Anita se comporta diante de tal confissão. Vamos ver como Caio reaje diante da confissão de Anita.


Sigamos, sigamos, subamos, subamos...




Maria Cláudia

domingo, 16 de maio de 2010

Carta a K.

Querido K,

A viagem foi fantástica e a cidade não chegou a me surpreender. Uma cidade, é apenas uma cidade. Há peculiaridades poéticas, ruas com túneis verdes por onde o tempo passa mais lento, pôr-do-sol à beira do rio-lago, gente muito diferente de nós, com bochecas rosadas em vez de pele vermelha.

O reencontro foi espantosamente acolhedor. As memórias de minha meninice vieram habitar a conversa regada a café quente, broas, tortas salgadas e geléias. As paredes da casa, acreditas, eram vermelhas. Depois de décadas havia ainda afinidades entre nós, afinal.

Ela constituiu família, daquelas bonitas famílias que têm dois filhos, um carro na garagem, cachorro e férias na praia, mas continua exatamente como me lembrava: sorriso largo, olhar quase infantil.

Fizemos a retrospectiva dos anos vividos à distância, contamos dos rumos que tomamos, enquanto sorvíamos o café quente em meio à noite fria.

Quando, por fim, se fez silencio entre nós me deixou no hotel, exatamente onde me apanhara. Abraços, despedida e promessas de não nos perdermos mais. O reencontro, K, foi assim. Simples e tranquilo como ela mesma.

Hoje o vento frio está cortante e eu já me preparo para o retorno. Confesso-te que sinto falta da vibração de nossa cidade e da alegria de nossos passeios. Sinto falta do calor da gente daí, aqui a distância e o clima frio afasta as alma e a solidão aborrece mesmo em meio à multidão.

Prepara-te para minha chegada com um abraço acolhedor que possa reaquecer meu espírito e enxotar a solidão que se alojou em mim por aqui.  Estás pronto?

Anita.

Diário de Bordo Porto Alegre III

Hoje, por fim, conheci o famosíssimo Zaffari. 

Nove entre dez gaúch@s morando em Brasília dizem que o que mais lhes faz falta é o Zaffari.

Ouvi por muito tempo sobre a organização, a limpeza, a beleza e o atendimento gentil e educado.

Tantos comentários fizeram com que o Zaffari figurasse na minha lista de lugares para visitar em Porto Alegre.

Fui conferir nesta manhã de domingo. Sim, o Zaffari é lindo. A arquitetura interna é diferenciada, a organização é impecável, a limpeza faz gosto. No entanto, o atendimento foi algo mal-humorado. Não foi uma primeira e única impressão. 100% dos funcionários com que tive contato - três - foram secos ou visivelmente acordaram com o pé esquerdo. Logo, minha experiência não foi tudo o que esperava que fosse.

Na caminhada de volta ao hotel, passei por uma rua encantadora. Rua da República, na Cidade Baixa é arborizada, e, pelo menos na manhã de domingo, tranquila como brisa de fim de tarde. Muito me lembrou a Calle Honduras, em Buenos Aires. Faltou o registro fotográfico, mas a retina salvou esse arquivo visual.

Ontem à noite, fui conferir as massas do Atelier das Massas. Um lugarzinho charmoso, localizado na r. Riachuelo, 1482.

Vale a pena experimentar as massas caseiras com seus molhos exóticos. Experimentei o Fetuccine à Forestier. A massa, bem mais larga do que eu esperava, estava saborosa. Acompanhei com um Tannat - uva de minha preferência - e excelente companhia.

sábado, 15 de maio de 2010

Diário de Bordo Porto Alegre II

Porto Alegre vista do Cais do Porto é pura poesia. Visita ao mercado municipal é obrigatória.

A variedade de sabores e cores é incrível e os bares e restaurantes, simples e saborosos. Estando na capital colorada (me perdoem os gremistas), não há como deixar de visitar.

Fugi. Fugi na hora do almoço, caminhei até o mercado para encarar um parmegiana honesto, para só depois descobrir que, embora a comida do mercado seja gostosa em quase todo lugar, a recomendação mor é o Gambrinus. Não deu, terei de voltar a cidade.

No Cais do Porto segue a Feira Brasil Rural Contemporâneo reunindo agricultores familiares e empreendimentos de assentamentos da reforma agrária de todo o país numa festa de diversidade gastronômica, olfativa e visual.

Ontem à noite, cinco mil pessoas prestigiaram o show de O Teatro Mágico, que teve abertura de um importante artista gaúcho: Nei Lisboa.

O sucesso de O Teatro Mágico foi inegavelmente visível no rosto de crianças, adolescentes e jovens adultos que prestigiaram a apresentação, cantando junto as letras, vibrando a cada pausa e, em especial, usando maquiagem circense, marca registrada do grupo paulista.

Por fim, o reencontro com pessoas importantes do passado, resgatando velhas memórias, importantes experiências vividas. Cada vez mais acredito que sou: eu e minhas experiências, que sou: eu e minhas circunstâncias, profunda, intensa, real e verdadeira. Em qualquer parte do país ou do mundo amizades  permanecem atravessando décadas, quando a entrega é verdadeira, transcendem a materialidade dos encontros.



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Diário de Bordo - Porto Alegre I

Chegada a Porto Alegre sujeita a turbulências em razão do mau tempo. No mais, táxi para o hotel. É uma cidade. Ponto.

Hotel simples, relativamente honesto. Cama confortável para uma carcaça exausta como a minha.

Café da manhã à moda. Excelente companhia nas primeiras horas da manhã. Nada como uma boa prosa logo cedo.

Logo cedo iniciou o trabalho. Duro e árduo do dia todo. Acompanhando, verificando, administrando a ansiedade do atraso na montagem. Estamos aqui, até agora. E ficaremos por mais não sei quanto tempo ainda.

O Cais do Porto é lindo, a vizinhança, embora seja área central é muito bem conservada, pelo menos o pouco que pude ver no trajeto para o almoço.

Nenhuma nota especial com respeito ao almoço: rápido, ligeiro, barato e bem corriqueiro. Mas atendeu a necessidade do momento. Quem sabe consigo me presentear agora à noite. Quem sabe?

O trabalho segue, e eu?

Sigo feliz com as escolhas que fiz.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Vou para Porto e bah! Tri-legal!

Diários de Bordo Porto Alegre estão a caminho.

Hoje embarco para a capital gaúcha, a sede do time do coração.

Espero conseguir dividir aqui as experiências sensoriais, gustativas, olfativas e afetivas que aquelas paragens me proporcionarão.

Embora saiba que a agenda por lá será lotada e interessante, visto que vou a trabalho para a Feira de Brasil Rural Contemporâneo, espero poder conhecer pelo menos o mercado municipal e o museu Iberê Camargo.

Conto no caminho - durante o caminhar - o que a capital que abriga meu coração me reserva.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Morre aos Poucos

Hoje mais um pedaço de ti em mim morreu.
Morreu um pouco do abraço, um pouco do beijo.
Morreu um pouco do respeito
que tinha em meu peito
[guardado para ti].




Respeite os direitos de autoria. Se for citar, dê crédito. 

XI Carta para Caio

Caio,

Uma tristeza profunda alojou-se em mim. Há semanas, no caminho de casa para o trabalho, observo - extasiada - um certo Ipê cor-de-rosa. Ele é lindo e fica na subida de uma curva pela qual obrigatoriamente tenho de passar todos os dias. Sob o sol morno da manhã, tendo o céu profundamente azul de fundo, resplandece aquela árvore linda, braços abertos em direção ao céu, carregada de flores rajadas de branco e rosa. Todos os dias prometia a mim que iria fotográfa-la. Chegava a avaliar o melhor angulo conforme ia fazendo a curva. Ela estava lá todos os dias. Todos os dias eu a mirava. Todos os dias desejava fortemente registrá-la. Todos os dias.

Ontem, no entanto, dei-me conta de que ela já não resplandece. As poucas flores que restaram pendem murchas em seus galhos magros, suplicando a atenção dos céus. Perdeu o viço, o Ipê. Passou seu tempo de florescimento. Foi definhando com o passar dos dias e eu, nem notara, acostumada que estava a tê-lo ali, todos os dias, lindo para me dar bom dia. Achei que seria sempre assim. Que todos os dias estaria ali para mim. Ao alcance das mãos, ao alcance da camera. Não foi assim. O tempo de florescimento acabou. Agora, recolhe-se para se reinventar e só daqui um tempo poderá florescer novamente.

Mas as flores do próximo ano não serão as mesmas flores. Não será o mesmo Ipê, este que admirei por tanto tempo, este que desejei diariamente poder registrar - e não o fiz - em lugar dessas  flores estarão outras, certamente lindas, mas já não serão essas. Esse Ipê que apreciei por tantas semanas, certamente já não será o mesmo no próximo ano. Perdi a oportunidade. Achei que ele estaria sempre ali, esperando por mim, braços abertos, disponível, mas a temporada passou. Ficou apenas na memória. E a memória com o tempo irá apagar os detalhes rajados das flores, as mãos extendidas para o céus, o viço, a força. Um dia o Ipê será apenas vaga lembrança, já não o terei mais.

Sem mais delongas, Caio: Estamos perdendo a oportunidade? Será que estamos nos deixando para o dia seguinte? Adiando o quê? Será que acreditamos que somos para sempre assim? Será que somos? Talvez seja meio mórbido, mas em algum momento um de nós já não estará e teremos vivido uma vida pela metade - ou sequer teremos vivido. Serei apenas eu a pensar no que passa? Ou será que para ti nada passa? O que passa?

Abraço,

A.L.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Branco

Branco. Decidi pintar tudo de branco. E olha que quem me conhece sabe que sou chegada a uma cor intensa nas paredes. Desta vez, no entanto, quis branco. Tudo alvo como lençóis pendurados num varal-de-quintal-em-dia-de-sol, como a primeira folha do caderno de desenhos da primeira série.

Branca - folha branca. É como me sinto, uma página em branco pronta para iniciar uma nova estória. Assim são as paredes do novo apartamento. Sim, estou me mudando de novo! Eu não disse que meu céu ja havia dito sobre mudanças em abundância mais uma vez em minha vida.

No entanto, uma coisa importante aprendi sobre mim mesma: convivo bem com a impermanência, mas não com a provisoriedade. As mudanças constantes não me abalam, mas os novos cenários têm de ser eternos e únicos enquanto durem. Provisoriedade, transitoriedade  não me animam. Sei ser pela metade, não! Só sei ser inteira nas escolhas, nas relações, no trabalho, na vida!!

TODA MULHER TEM DIREITO A SER INTEIRA E VIVER UMA VIDA PLENA E INTEIRA, MESMO QUE SUJEITA A MUDANÇAS!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Rosa de Luxemburgo

Camarada Rosa,

Depois daquele chá passei dias e noites a refletir. Sim, também eu sonho como a união de amor e de intelecto. Preciso admirar a mente daquele que comigo compartilha os dias e as noites. Ainda assim, não posso deixar de notar que o desejo de ser quem sou, de ir e vir sem limites, de permanecer quando queira, mina qualquer possibilidade de realização desse ideal romântico que teima em volver. Então será que compreendo o sentido de compartilhar? Será que idealizo essa união de corpos, mentes e almas? Há coerência entre o sonho e meu transitar no mundo?

Confesso, camarada: não sei. À distância essa conjunção plena é o único caminho possível. No entanto, quando a realização se aproxima, sinto crescer em mim um muro de tijolos invisíveis que vai subindo lenta e magicamente até o limite de impedir-me a respiração. Sinto-me sufocar e logo quero distanciar-me, mas, à distância, de novo a saudade da plenitude e do encontro de corpos, de almas e de mentes.

Tal incoerência faz com que me senta inadequada. 'Não pertenço a este mundo' . Se por um lado, o ideal me aproxima incovenientemente das mulheres que, mesmo numa época de revolução, permanecem adormecidas e submissas ao sistema de dominação patriarcal e de classe que ora vige. Por outro , a liberdade de pensamento e de conduta que almejo e mesmo que exercito, me aproxima das camaradas revolucionárias. Eu, em meio à controvérsia, vienho debatendo-me há muito entre razão e emoção, sem dar-me conta de que talvez, apenas talvez, o mundo não precise ser uma coisa ou outra, e sim, uma coisa E outra. É possível, essa é a tese que venho sustentando intimamente, que nossa vida, afinal, não seja uma sucessão de escolhas excludentes, mas de uma conduta includente que possa acolher amorosamente a diversidade em todos os seus vários sentidos.

O chá naquela tarde da última primavera em Berlim , confortou-me a alma. Finalmente já não era a única que se retorcia em tal controvérsia e que considera a hipótese - ainda pouco definida - que o acolhimento dea diversidade possa ser, afinal, um caminho igualmente válido e - quem sabe - mais revolucionário que a própria revolução de classes. Não me refiro apenas ao acolhimento à diversidade poética, mas a aceitação e o respeito real pela diferença, inclusive às diferenças ideológicas e políticas.

Pergunto-me há bastante tempo porque a vida tem de ter um ''lado'''? Porque estar em um lado elimina a possibilidade de estar em outro. Não seria essa uma forma de alimentar a competição tão própria do sistema capitalista? Não há um caminho do meio?  Sei que as idéias que ora exponho - compartilhar? - poderia ser partilhada com ninguém mais. Não conheço quem hoje pudésse compreender  tais reflexões, mas tu, camarada Rosa, estou certa, entende a tormenta que toma minha mente e meu coração. 

Espero pelo dia em que possa declarar que sonho com uma casinha com flores na janela, em que compartilhe idéias e afetos com aquele que admiro e amo. Sei que tu, camarada, também por isso anseia, embora não seja compreendida por aquele com quem vem partilhando as lutas e os afetos, as idéias e os sentimentos.

Deixo-te, camarada, esperando que esta reflexão te encontre forte em tuas convicções e aberta às novas reflexões, sempre.

Anita

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Diário de Bordo - RJ

Eu até disse que não havia muito mais o que dizer nesse Diário de Bordo - RJ, no entanto, a aventura de tomar um táxi, sexta-feira à noitinha para ir ao Galeão, enfrentar engarrafamento em meio a uma boa conversa de taxista merece umas linhas.

O Souza foi o taxista que percorreu comigo esse engarrafamento. Ele já havia morado em Brasília e conversava quase tanto quanto eu. Quis me convencer que deveria morar no Rio, mal sabia ele que havia uma possibilidade real disso acontecer. Ouvi atentamente todosos argumentos do Souza para deixar Brasília e tornar-me uma cidadã do Rio de Janeiro durante os longos minutos que me separavam do Galeão.

Chegamos no limite para o check-in, mas antes de deixar o táxi prometi ao Souza avaliar com atenção a possibilidade de mudar de cidade. O Souza falava como um pai cauteloso que orienta a filha destrambelhada. Despedimo-nos com essa e outras promessas, afinal, disse a ele que doravante faria de seu cartão de visita meu cartão fidelidade.

Mas o melhor estava por acontecer. Feito o check-in eletrônico na GOL - está ótimo o serviço - dou-me conta que eu deveria estar no Santos Dumont.

Dois segundos de pânico depois, ligo para o Souza e sentencio 'Souza, volta!''.
- Já to quase em Bonsucesso, mas to voltando - foi a resposta do Souza.

Doze minutos e meio e várias unhas roídas depois, chega o Souza. E não perde a oportunidade:

- Olha o Rio de Janeiro segurando a senhora - isso é um sinal, heim!

Aquela altura, eu que não sou de estressar, estava suando frio. Aquele era o último vôo para Brasília. Sem problemas, com Souza na direção, não houve Rio de Janeiro querendo me segurar que desse jeito. Cheguei ao Santos Dumont em tempo de embarcar. Tá, é verdade que o avião estava atrasado, mas que' voltei para Brasília, voltei, Souza!

Entrou por uma porta e saiu pela oura mudo ou não para o Rio? O Souza já deu a opinião dele, e vocês, o que acham?

Resposta a Caio Marques

Não. Não vivemos juntos, Caio. Viver junto no sentido que trazes é compartilhar planos e sonhos. Nós, por um breve espaço de tempo, compartilhamos o teto, os dias, as refeições, a rotina, a empregada e o endereço. Não, nós não vivemos juntos jamais.

E nesse sentido percorro aqueles dias olhando atentamente para cada instante, buscando um olhar realista para o que vivemos. Sonhei por nós dois, planejei por nós dois. Nós vivemos aqueles dias juntos, cada um a seu modo, cada um vivendo sua própria fantasia, vestindo sua própria realidade.

Talvez tu te chames Ishmael e não Caio. Talvez eu tenha criado Caio para ser a imagem e semelhança de minhas fantasias. Caio então teria tornado-se tão real que de criatura passou a criador? Teria reescrito nossa história segundo suas próprias expectativas? Ou talvez Ishmael seja criação dessa expectativa por um companheiro para quem fazer planos - e realizá-los - seja igualmente um valor a ser experimentado. As palavras, sempre elas, mesclando fantasia e realidade, virtual e atual fazendo de um, outro a depender do campo léxico de quem escreve, do vocabulário de quem lê.


Afastamento, talvez essa fosse a palavra mais apropriada para o que se deu conosco. O convívio entre realidade e fantasia tornou necessário o afastamento e assim aos poucos nós tomamos caminhos tão distintos.

Talvez, e é assim que tenho sentido, a fantasia tenha se tornado verdade ainda que tardia. Mas como posso sentir por você? Não sei sequer o que realmente sinto - ou quero de nós dois - hoje que estamos tão distantes. Como poderia saber dos seus sentidos? Há sentido no que vivemos? Há sentido no que viveramos?

Há sentido em nos mantermos em contato? Sentido não sei se há, mas sinto quase uma necessidade de te ler, de compartilhar contigo o que em mim se passa.

Seja Caio, seja Ishmael, call me Anita. Anita Lopes, aquela que mesmo sem saber o que pode significar o amor, ama. Incondicionalmente ama. Instransitivamente ama.

Sempre sua,

Anita

sexta-feira, 16 de abril de 2010

XII Carta para Caio

Caio,

Sua última carta me fez refletir longamente. Quem deixou quem afinal? Essa é uma pergunta que não havia me ocorrido. Talvez não nos tenhamos deixado, mas sim deixado a vida nos levar para onde ela queria que fossemos. Talvez tenhamos permitido tal estado de coisas para não termos de decidir sobre nós. Era mais fácil para ambos deixar que tudo corresse como se destino fosse.

É possível que se fizer uma auto-análise mais cuidadosa possa chegar à conclusão que minha partida tenha sido uma espécie de revanche, mas sendo assim, terei me sentido abandonada por você quando de sua ida para o norte?

É possível, mas, de certo modo, injusto de minha parte, pois nunca fizéramos planos. Você nunca me prometeu nada. Na verdade vínhamos vivendo a paisagem, deixando que a trama fosse mais importante que o desenlace. Jamais faláramos sobre o que queríamos afinal de nós dois, ou mesmo o que sentíamos realmente.

Era bom. Simples assim. Estar com você era muito bom. Compartilhar momentos, idéias, boas refeições era maravilhoso. Poder expor todas as angústias e ansiedades que a paixão pelo trabalho me impunha depois de longas e desgastantes discussões era especialmente acolhedor.

Mas nossa trama não tinha teia que a sustentasse, a ausência de planos comuns nos fez tomar rumos muito diferentes. Hoje, morando tão longe de ti, percebo que talvez não houvesse mesmo outro caminho para nós. E tenha de me confortar com as cartas que trocamos vez ou outra.

Talvez – é quase certo – você não se adaptasse a esta cidade. Ela não é para você, embora muito aqui me lembre nós dois e a vida que não vivemos. Ás vezes sinto saudades de tudo o que fomos um para o outro e de tudo o que poderíamos ter sido, e não fomos. Sinto falta das viagens que não fizemos, das idéias que não compartilhamos, dos abraços que não demos. Sinto falta, dos sonhos não sonhados e dos planos não realizados. Sinto falta do que poderíamos ter sido. Não fomos.

Walt Whitman tem um poema em que fala sobre a estrada que não tomamos. Sim, estive pensando sobre a estrada que não tomamos, mas isso de nada nos adianta agora. Nada pode nos ensinar, senão que não estamos juntos, não há nem trama, nem paisagem para nós agora. Só distância.

Olhando para a estrada que tomei, não chego a me arrepender. Ela me trouxe a esta magnífica cidade, me aproximou de pessoas especiais que não teria conhecido se nossas circunstâncias fossem outras. Conhecer K., Maria e d. Maroca foi realmente especial para mim. Tem sido enriquecedor, e o novo trabalho estimula a criatividade, embora por vezes me deixe algo insegura.

Mas isso já é outro assunto. Vou deixando-te por aqui. Cheia de saudades da estrada que percorremos juntos, deixando para trás o caminho que não fizemos.

Sempre sua,

Anita

Diário de Bordo - Foz do Iguaçu

Bom, como vocês podem ver o Diário de Bordo anda meio atrasado. Estive em Foz na quarta-feira, dia 14/04. Hoje estou na cidade maravilhosa que vê com alegria o sol voltar a brilhar.

Sobre Foz, o que posso dizer? Digo que descobri um ótimo site para fazer reservas de hotel (não estou ganhando nada em indicar), eles foram gentis, efetivos e rápidos. O hotel em que me hospedei diz que é quatro estrelas, acho que uma delas andou caindo e ninguém se deu conta, mas no geral é limpo, bem localizado e o atendimento é bem razoável. O preço não é dos mais baixos, mas também não dá para se sentir lesado.

O café da manhã não se destaca, o almoço foi razoável, mas o serviço do restaurante foi digno de nota.

Os taxistas, novamente eles, foram extremamente gentis e prestativos. A cidade, pouco pude ver, porque - como de hábito - foi só um pulinho.

Falando em Foz do Iguaçu não posso deixar de mencionar a ITAIPU. A visita foi fantástica e descobri coisas  incríveis que eles andam fazendo por lá. O programa Cultivando Água Boa vale a pena ser conhecid por todos os brasileiros.

Um super obrigada vai para a equipe de solo da Gol-Varig em Foz. Super atenciosos, meu muito obrigada pelo atendimento diferenciado.

Este foi mais um Diário de Bordo. Ah! Sobre o Rio, bem, dizer que ele continua lindo após todo o pesadelo das últimas chuvas é ser extremamente sem criatividade. Mas, que dizer da cidade maravilhosa? Bem, que eu amo essa cidade e faço votos que mais e melhores políticas públicas de urbanização e moradia possam ser implementadas aqui. O povo carioca, o povo fluminense merece!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Decisão, Decisões

A difícil arte de tomar decisões. Esse era o título da matéria na revista que li durante o vôo BH-SP. E era boa a matéria. Entre outras coisas, alertava - o que todos nós já estamos carecas de saber - que tomar decisão é escolher, ficar com um e abrir mão de outras possibilidades.

Decidir é ganhar umas coisas e perder outras. É abrir mão de algo para ganhar o que se quer. Eu decidi. Recentemente tomei várias decisões, algumas fáceis, outras bem difíceis. Não me arrependo de nenhuma delas. Estou abrindo mão de muitas coisas para trilhar esse caminho. É isso aí, tomar decisões é perder algumas coisas para ganhar outras, mais importantes certamente.

A grande decisão, da qual várias outras decorrem, foi saltar num abismo sem rede de segurança.
E eu prometi entrar em detalhes depois, só depois. E o depois chegou. O passo-a-passo começou com a montagem de uma empresa e assumir novos desafios. Claro que a saída está sendo aos poucos, por isso mesmo, assumi o compromisso de colaborar com a VII Feira de Agricultura Familiar e Reforma Agrária - Brasil Rural Contemporâneo, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.   A Feira é linda! Vale a pena conferir. Num outro post falarei com mais detalhes, aguardem.

Decorre desta decisão duas outras, não menos importantes. Tomei coragem e finalmente coloco em prática a escolha que fiz no início do ano: As Cartas de Anita Lopes, o projeto literário que estou levando a cabo com o meu grande amigo Alberto Tibaji ganha endereço próprio. As cartas de Anita para Caio doravante serão postadas em  ''As Cartas de Anita''. Serão publicadas as cartas de Anita seja para Caio, seja para outros destinatários que surjam daqui em diante.

Isto porque, o Blog da Maria estava ficando super, super multifacetado, um retrato fiel demais da autora. Decidi colocar ordem nas idéias e guardá-las ou publicá-las cada uma na sua gaveta. Aqui, vocês bem sabem, escrevi dicas de organização, textos literários, desabafos, crônicas, cartas. De tudo um pouco.

O Blog da Maria continuará sendo um espaço de livre manifestação do pensamento caótico e dos sentimentos ora confusos, ora cheios de certezas. No entanto, os temas literários, como disse migrarão para a casa da Anita Lopes. Mas não se apressem tanto, a casa das Cartas de Anita Lopes ainda está em construção. Faremos uma inauguração em grande estilo.

Por outro lado, a empresa também precisava de um espaço para mostrar sua cara. Desta forma, estou construindo um espaço corporativo em que não apenas divulgarei as atividades da ACESSO|SOLUÇÕES, como também escreverei artigos indicando soluções para várias questões do dia-a-dia no trabalho, em casa, na vida.

Vocês devem estar pensando, nossa, quanta coisa para escrever. Verdade. Não sei se conseguirei seguir com tudo com regularidade, mas é necessário. Refleti muito nos últimos dias, novamente inspirada por minha amiga - aquela da pergunta perturbadora - Adriana Albuquerque, e por outr@s anj@s que passaram pelo meu caminho nos últimos meses. A questão que rondava era: O que você quer? O que eu quero é expressar meus sentimentos, idéias, experiências, pela palavra escrita ou por qualquer outro meio capaz de mostrar o que sinto, o que penso, o que vivo. As dúvidas, as certezas, as mudanças. Quero expressar e ser referência por isso.   E você, o que você quer?

Estou tomando as medidas para alcançar o que quero. Decidi, deixei para trás outras escolhas, outros caminhos. Esse agora é o caminho. O que você quer? Ainda fica a pergunta!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Diário de Bordo - SP

Sim. Foi uma enorme surpresa. Ao aterrisarmos o piloto informou com sua voz metálica que a temperatura na capital paulista era de 13º celsius. OOooops! Não estava preparada para tal frio, levara apenas uma capa de chuva,  por que ao consultar o clima havia a informação sobre chuva ao longo de todo o dia e à noite também.

Bem, a echarpe virou cachecol, abotoei a capa e salve-se quem puder!

Ok, está frio, mas logo estarei na cama quente do hotel e tudo ficará bem. Ledo engano, ao ligar o celular recebo sms de Lelo - meu grande e lindo amigo da época de escola fundamental - informando que não conseguira um único hotel (paulista, jardins, morumbi, moema...)tudo lotado em razão de um seminário de medicina que ocorria na cidade.



Olhei para um lado, olhei para o outro e... Bem nessas horas confirmo e reafirmo: amigos são tudo em nossas vidas! Ligo para Erwina - amigas há 10 anos, quem diria! - nem precisei acabar de falar 'vem pra cá, mulher!' Em poucos minutos estava alojadíssima no acolhedor lar-doce-lar de Erwina, com Zeca, o novo cachorro dela aos meus pés, tomando uma boa taça de vinho tinto e colocando a conversa em dia. Duas da manhã - 'eu vou me ferrar' - a fofoca foi longe e precisávamos dormir.

Não era a primeira vez que era acolhida ali. Lá estava o quarto quentinho que fora da Vivi quando ela morava com Erwina ainda. Banho morno, cama quente, amiga por perto: tudo o que eu mais precisava naquela noite.

São Paulo tem diversas qualidades. É uma cidade do mundo, que não para e não dorme, onde encontramos tudo, absolutamente tudo que queremos, onde os taxistas levam um volume de mais de 500 páginas de mapas da cidade, em que os engarrafamentos são infindáveis, os espetáculos diversos e maravilhosos. Acima de tudo, São Paulo para mim significa o aconchego de amigas queridas, como Erwina, Ana e nossa saudosa Marie.

Se comi bem? Não há como comer mal em Sampa. Era um espagueti com tiras de avestruz puxada em seu próprio molho, acompanhado de conversa, conversa, conversa, embaixo de uma árvore centenária num restaurante pra lá de agradável e cujo menu é honestíssimo. Serviço: chama-se Lilló e fica em Moema, na mesma rua em que Erwina mora. Delícia de lugar, se tiver oportunidade visite e me conte.

Reunião tranquila e exitosa, há um quilometro do apartamento. Aí conheci o homem mais gentil e atencioso 'do mundo'. Fiquei tão encantada com sua gentileza que quis imediatamente aderir ao movimento em prol da gentileza. Imagina que ele me ajudou a vestir o casaco, abriu a porta para mim. Um verdadeiro gentleman. Porque, onde e quando perdemos esse valor? O que nos fez tão desatent@s com as pessoas? Onde deixamos a gentileza, a solidariedade, a generosidade?

A maior parte de nós deixou para trás tais valores, mas eu sou testemunha de que pessoas ainda cultivam a gentileza eis aí, em São Paulo - a maior cidade do país - duas pessoas lindas que não me deixam mentir.

Obrigada, querida Erwina. Obrigada, senhor M.F. Vocês alimentam minha esperança de um  mundo mais solidário e gentil.

''Gentileza gera Gentileza'', já dizia o profeta. Então, vamos juntos. Vamos nos unir ao movimento Gentileza gera Gentileza e por meio de pequenos atos do dia-a-dia colaborar para que gentileza tome conta de nossas vidas e nossas relações.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Diário de Bordo - BH

Fazia pelo menos 20 anos que não vinha a Belo Horizonte, não me lembrava como a  capital mineira é charmosa. Chamou-me a atenção especialmente a limpeza das ruas e a gentileza dos prestadores de serviços.


Almoçei em um shopping local bastante conhecido Pátio Savassi e fui extremamente bem atendida por Taís que fez sugestões apropriadas, sendo solícita e gentil, no Café do Museu, um bistrô charmosérrimo com comida honesta a preço não tão acessível. O filet com molho de jaboticabas e risoto de brie com alho poró estavam fantásticos. Vale mencionar que tanto o filé quanto o risoto estavam saborosos, mas eu não teria feito tal combinação. Em lugar dos sabores se complementarem senti um certo ressentimento entre eles. Ainda assim, volto a dizer, o sabor de ambos - separadamente - estava fantástico.

Gentil e acolhedor também foi o atendimento dos taxistas que fizeram questão de detalhar os percursos escolhidos - como se eu pudesse avaliar - antes de iniciá-los. Iniciativa de excelente tom, que dá segurança ao cliente.

Você poderá dizer que o atendimento solícito e gentil não passa de obrigação, mas garanto que para quem vive em Brasília tais atributos são notáveis. A capital federal definitivamente tem um dos piores atendimentos do país.

Reunião ótima. Hora de voltar ao aeroporto de CONFINS rumo à Paulicéia Desvairada.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

AGORA

Agora?

Eu vivo agora.

Você?

Sinto-me curiosa.

Passado? Não quero falar!

Futuro? Ainda não sei.

[Não quero saber!]

De você, sim! Quero saber

Eu? Sinto dor na garganta - Agora

Agora é forte e eu estou com você

Há uma linha que nos conecta: Agora

Não a via no passado. Não havia?

Futuro haverá ou a verei?

Agora, somos eu e você.

Agora: começar de novo.

Não! Agora é um novo começo.

sábado, 27 de março de 2010

Corpos Estendidos, ali caídos: mortos

Caminhava pelas quadras da Asa Sul quando numa entrequadra avistei uma nova construção. Arquitetura contemporânea, nada além de um box recoberto completamente por aqueles vidros espelhados super usados ultimamente em prédios públicos e outras construções da Capital Federal.

Gosto duvidoso, valor estético questionável os tais vidros ainda por cima são responsáveis pela morte de diversos pássaros. Já me haviam dito, mas eu nunca havia tido o desprazer de ver com os próprios olhos. Quando vi o primeiro caído no chão não entendi o que se passava. Era um lindo passarinho azul morto, mortinho.

Com um pouco mais de atenção vi os outros corpos ali estendidos. Uns recém caídos, outros já em franca decomposição. Um verdadeiro campo nazista.

Feio, muito feio! Matam pássaros em nome de uma estética abominável. Diga-me que empresa é e te direi que não serei sua cliente, nem recomendarei.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Carta de Anita Lopes a Caio Marques

Caio,

Surpreende-me só agora você romper o silêncio sobre minha partida. Durante aquele período eu me trancava em pensamentos confusos, tentava adivinhar as lacunas e as ausências deixadas por você. Eu queria lê-lo dizer do sentimento que nos unia, ao mesmo tempo que temia o toque. Hoje, sinto que talvez, só talvez suas reflexões façam sentido.

Das suas faço minhas as perguntas ' será que nos amamos?' ou 'será que amamos a possibilidade de nos amarmos?'' ou ainda ''é possível que sejamos Pessoa e estejamos fingindo um amor que deveras sentimos?''
Perguntas sem resposta. Certo é, até que perceba o contrário, que sinto sua falta. Nossos passeios à tarde, mãos dadas, risos, a simplicidade de nossas conversas rasas ou profundas.

Dessas lembranças emerge uma outra pergunta que deixo para sua reflexão: Será que esse amor teria de se traduzir exclusivamente numa relação que envolvesse a fusão de corpos? Não nos seria suficiente e importante apenas fundir as almas e separá-las para irmos aprendendo o amor um com o outro? Porque todo amor tem de ser sexualizado?

Por outro lado, porque a união de corpos nos mete numa rede de expectativas? Serão os mandatos culturais e sociais que nos são impostos desde o nascimento?

Agora sim, eu sinto que te amo! Amo sua forma de expressão, suas idéias, as interrogações que você coloca em meu caminho e que me atribulam a alma. Em especial me encanta toda sua confusão, embora por vezes me irrite com sua resistência a olhar-se de fora. Seu caminho é confuso, é certo, mas é o seu caminho. Seu medo de olhar-se me atrai e me afasta, mas gosto do desafio de não entender nada e ao mesmo tempo ter tudo tão claro. Adoro as horas que passo com você, seja nos passeios que fizéramos, seja agora dedicando-me integralmente a estar contigo por meio das palavras.

Creia, nossos laços são indestrutíveis, porque o afeto e o respeito que construímos tem bases tão sólidas que nada e ninguém pode desfazê-los. E isso me parece muito real.Não é fruto de uma fantasia infantil que idealiza o outro. Nos conhecemos, conhecemos cada canto de nossas almas, cada insegurança, cada dúvida e, em especial a imensa capacidade que temos de criar dúvidas, fazer surgir perguntas sem resposta - talvez nossa melhor qualidade - não há espaço entre nós para idealizações. E isso já é alicerce suficiente para uma relação duradoura e sólida.

Qualquer hora me daria muito prazer recebê-lo em minha nova casa, mesmo que isso signifique enfrentar a boataria, o falatório, os olhares curiosos. Não temo o olhar do outro sobre mim, embora certas vezes me aborreça.

Venha! Venha breve!

Sua sempre,

A.L.

quarta-feira, 17 de março de 2010

7 Dias


...E no sétimo dia, Ele descansou!

7 dias para secar a barriga, é chamada de revista - acredita?
7 dias e 6 Noites é nome de sítio eletrônico - quer comprar livros?
7 dias Seguintes aos 7 Anteriores é blog maneiríssimo - quer conferir?
7 dias para mudar sua vida é programa da Clínica Lapinha SPA - topa?
7 dias de oração pela erradicação da Gripe Suína é proposta do pastor de Vila Tatu - Onde fica mesmo Vila Tatu?
7 dias é o prazo que a Comissão terá para investigar os atos secretos em Brasília - será cumprido?
Climaderm 7 dias é nome de remédio - resolve?;
7 dias - São Paulo: a coleção que apresenta lugares para conhecer na paulicéia desvairada - vamos?
7 dias é o pacote turístico que te leva para Maragogi/AL - Boa pedida?
Após 7 dias bebê morre em UTI, na Bahia - Isso acontece?
7 dicas para 7 dias incríveis de diversão, é capa de revista para adolescentes - U-huuu!
7 dias e 6 noites é pacote de Reveillon em Londres - Já?
3 jogos em 7 dias é maratona esportiva - canseira?
7 dias antes do casamento - vida nova?

7 dias se passaram desde o espanto. 7 dias nada passou.


Aquele bebê morreu na Bahia, o casal apaixonado prepara as bodas, a mulher ansiosa vai para o SPA, o pastor evangélico conclama os fiéis a orar, a comissão investiga, as adolescentes se divertem, o executivo a trabalho consulta o guia, as amigas de férias conhecem o nordeste, o rapaz faz tratamento de pele, os namorados planejam o reveillon, as atletas rompem limites...

Em sete dias aconteceu tanta coisa.

E o sol não deixou de nascer e não deixou de se pôr. As estrelas seguiram iluminando a noite, os amigos continuam se reunindo na mesa do bar, as amigas festejam pequenos e grandes acontecimentos.

7 dias... E nada mais!

terça-feira, 16 de março de 2010

El Salvador - A Missão

Fui dormir às três da manhã,  hora do Brasil. 24 horas no ar. Acordei às 5:20, hora de San Salvador. Precisava concluir a apresentação. Quando vi já eram 8:20, não havia tomado café e o ônibus do evento já me aguardava. Tomei uma chuverada rápida, parti. Cheia de idéias, repleta de dúvidas.

Minha apresentação se modificou ao longo da manhã pelo menos dez vezes, a partir das falas ouvidas durante os debates. Quando por fim apresentei, já não falaria somente sobre as quebradeiras de coco, mas também sobre todo o processo de construção de algumas das políticas públicas brasileiras dos últimos tempos. 

Não pude deixar de mencionar a importância das conferências, em especial a das Mulheres e a da Cultura, em razão do tema que debatíamos. O II PNPM igualmente mencionado, alguns exemplos de como vimos tratando mulheres e cultura, em especial em programas como o Cultura Viva e o Talentos do Brasil. Não me permiti ficar silente quanto ao paradoxo da regularização fundiária na Amazônia que tem colocado em cheque os fazeres tradicionais de algumas comunidades, notadamente extrativistas, em nome da padronização dos procedimentos. Há que tratar diferente os diferentes, já preconiza há 20 anos o princípio constitucional da isonomia. 
As comunidades tradicionais são diferentes e não podemos tratá-las como tratamos outros posseiros, agricultores familiares e assentados da reforma agrária. Mas a discussão desse tema a partir dessa perspectiva pode não ser música aos ouvidos de algumas pessoas muito queridas para mim. Embora me importe, não posso deixar de registrar minhas observações face ao problema. Afinal, ainda sou um ser individual, que como tal tem opiniões próprias. 

Não à toa, embora seja uma simpatizante do PT, jamais me filiei a qualquer partido político, agremiação, organização sindical ou entidade de classe. Mesmo a OAB, que fiz parte nos primeiros anos de formada por força do exercício da profissão só me viu no dia do exame e no dia de fazer o juramente e pegar a carteira. Jamais fui dada a atrelar meu pensamento a pacotes fechados de idéias, embora seja, agora percebo, só nesse mundo. Talvez me faça falta fazer parte de um grupo, talvez não. Ainda não fechei essa idéia.

...E não me venha dizer que quem não se filia à esquerda, certamente está à direita por exclusão. Não admito tal preconceito, por que desde que me entendo por gente abomino preconceitos, desprezo o desprezo, como diria Morin.

A apresentação foi um sucesso, e compartilhar com mulheres da Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Costa Rica, Argentina e Espanha o debate sério sobre desenvolvimento, cultura e  o papel das mulheres foi gratificante. Mais que isso, encantar-me mais uma vez com a incrível capacidade que nós temos de virar a mesa, rodar a baiana e dar a volta por cima. 

Agora, aos braços do Morfeu, que me espera ansioso na cama enorme do hotel.




El Salvador - A chegada

Acordei ontem às 3 da manhã para iniciar a epopéia que me traria a El Salvador.

Antes que perguntem, vim representar o CNDM - Conselho Nacional de Direitos da Mulher e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres no Seminário Mulher e Cultura, promovido pela OEI - Organização dos Estados Iberoamericanos. A palestra - enorme desafio - tratará de Mulheres Desenvolvimento Cultural na America Latina.

Mas esse não é o tema do post, que pretende ser um diário de bordo dessa aventura. Depois de levantar às 03 da manhã para ir a São Paulo, lá permaneci por cerca de 4 horas, até tomar o avião que me traria para a conexão em Panamá City. O vôo, muito tranquilo, pela Copa Air durou mais 6 horas. Nada ainda, por que foram mais 3 horas aguardando a conexão que finalmente me traria a San Salvador. Depois que tomei o Embraer 190 

foi rápido, em 1 hora e 40 já estava chegando. Feita a entrada momento de sentir as primeiras impressões do país. Eis que a primeira sensação é auditiva. Pássaros, muitos passáros cantando no estacionamento do aeroporto, onde um taxista simpático (perguntou de que parte da Espanha eu era...rs) me aguardava para levar ao hotel - há 45 minutos de distância do aeroporto. Parece cansativo? Foi, mas ficou muito bom, posso afiançar.


Afinal ser recebida por uma sinfonia de pássaros não é para todo mundo. Em seguida, já a caminho do hotel tive minha segunda impressão do país. Além de musical era cheiroso. Ao longo da estrada damas-da-noite se misturavam a um cheiro levemente amadeirado que perfumava tudo. Uma experiência sensorial. A viagem começava a mostrar-me seu lado luz. Iluminou-se de vez quando cheguei ao hotel e pude desfrutar sem culpa de um delicioso banho de banheira, morno ao som da cascata da piscina. Eu mereço nada menos que o conforto do Sheraton Presidente. Realmente, embora eu ame aventura nada como uma banheira quente, uma cama enorme e confortável depois dessa maratona. Como não poderia deixar de compartilhar, resolvi dar notícias ainda hoje. Detalhe agora equivale a 3h da manhã daí, nesse momento.
Completei 24h no ar. Perguntem-me como vou fazer a apresentação amanhã. Wish me lucky, vou precisar!

domingo, 14 de março de 2010

Carta a um Desconhecido

Há muito desejo escrever esta carta para dizer do que quero da vida ao seu lado. Sei que está próximo o momento do encontro. Sei que percorremos caminhos distintos por muito tempo e vivemos experiências diversas. Se o visse hoje e você me perguntasse o que quero para nós eu diria que quero um amor tranquilo tecido com  afeto, companheirismo, confiança e respeito. Diria ainda que quero  ver a vida correr dia-a-dia até meus cabelos perderem a cor, sentindo o vento no rosto e fazer planos, ter nossa própria lista de coisas para fazermos enquanto vivermos - e fazê-las!

Quero voar de paraglider, mergulhar em Angra dos Reis, conhecer as ruínas maias na Guatemala, passar quinze longos dias em Ushuaia. Quero ter um carro de sete lugares para viajarmos com @s seus e @s meus filh@s pelo litoral do Uruguai até chegarmos a Colonia del Sacramento, se é que você tem filho@s. Quero lua-de-mel uma vez por ano em lugares exóticos, distantes, tranquilos onde renovaremos todo tesão que sentimos um pelo outro.


Quero falar do desejo de meus pés frios aninhados nos seus pés quentes à noite, minhas mãos segurando as suas nos dias difíceis e nos fáceis também. Pediria que seus braços acolhessem minhas fragilidades bobas sempre, mesmo que não seja todos os dias e de como quero aprender diariamente com você coisas incríveis e ao menos uma vez por ano fazer algo extraorindário e inédito. Vou querer saber por onde andou e ouvi-lo contar sobre sua jornada.

Quero escutar suas músicas favoritas e soltar meu corpo para encontrar o seu. Quero dançar para você e com você de tempos em tempos. Em seu corpo quero sentir a consciência alerta de um homem que não teme visitar os labirintos de si mesmo e compreende a viagem interior como caminho para experiências autenticas e únicas. Quero encontrá-lo e no seu olhar ver caminhos para uma vida inteira de deliciosa rotina, grata em casa amanhecer. Quero ler embaixo de árvores com a cabeça encostada em seu peito, nos parques do mundo. Dormir em rede, andar descalça e inventar receitas na cozinha aberta para o mundo que teremos bem no meio da casa que construíremos hoje no alto de um morro com vista para o vale de um lado e para o mar de outro. 

E não me diga que o que quero é muito, por que merecemos cada linha, cada plano,  cada curva, cada sonho. Merecemos um ao outro e vamos viver tudo e o que vier juntos.

Deixo-te agora, para encontrá-lo em breve - olho no olho - em algum lugar desse planeta.

A. L.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Carta de Anita Lopes a Caio Marques

Querido Caio,

Sua última carta tomou conta de minha imaginação. Por um instante acreditei que poderíamos mesmo ter um futuro juntos. Nós somos tão íntimos, tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes. Somos incrivelmente diferentes, mas quando estamos juntos há tanto entre nós.

Eu quase poderia me apaixonar por você, não fosse o fato de sermos assim tão amigos, tão companheiros e tão próximos, o que certamente gera um paradoxo para o qual só as razões do coração têm resposta. E não as tem!

Quem dera meu amor pudesse ser com você. Quem dera meu amor me olhasse como você me olha, ainda que em sonhos ou devaneios. Quem dera pudesse com ele passar o resto dos dias vivendo a rotina de compartilhar a história, assim como compartilho contigo.

Sua carta, ah! aquela carta era tudo o que eu queria e precisava ler nesses dias de sol quente, quase sem brisa. Suas palavras refrescaram minhas idéias e fizeram mais disposta a enfrentar o dia que se levanta - já bastante quente - cheio de afazeres.

Por isso mesmo, vou te deixando por aqui, ainda sentindo o frescor das tuas palavras.

Forte abraço de sua,

A.L.

quinta-feira, 4 de março de 2010

É Assim...

Há alguns anos uma grande amiga me fez proposta profissional de investirmos numa consultoria. Hesitei. Ela me perguntou 'Maria, você acredita em si mesma?' Fiquei em silêncio por alguns instantes sem saber o que dizer. Sempre achei que sim, mas questionada diretamente sobre isso, não consegui pronunciar palavras de assentimento. Titubiei. Tive dúvidas. 

Mais de uma década se passou. Sou uma profissional bem posicionada. A consultoria da amiga cresceu, ela hoje é uma empreendedora respeitada pelos pares e pelos clientes. Eu segui o caminho público. Faço este ano uma década de governo federal. 

Foram anos de muitas realizações, em diversas áreas, tempo de aprendizado valioso sobre políticas públicas, gestão, articulação e integração de ações e programas, negociações internacionais. Contribui com debates importantes para o país, estive no centro de algumas das políticas mais importantes dos dois últimos mandatos. 

Nesse percurso aprendi muito. Às vésperas de completar 10 anos de dedicação ao setor público, descobri que hoje acredito em mim o suficiente para subir numa montanha bem alta e me lançar, sem rede de proteção - com as bandas elásticas bem amarradas - o famosíssimo risco calculado. Resolvi virar a vida do avesso (mais uma vez). Por que 


TODA MULHER TEM DIREITO A MUDAR DE RUMO, DANDO SETA OU NÃO.

P.S. Vou contar o passo a passo desta incrível aventura aqui mesmo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

IX Carta de Anita Lopez a Caio Marques

Querido Caio,


Essa noite tive um sonho lindo e estranho. Estava passeando à beira mar de mãos dadas. Caía a tarde e o cheiro adocicado da maresia invadia suavemente as narinas. Sentia-me, isso era nítido, afetivamente acolhida. Meus pés descalços afundavam na areia gostosamente.

Cada detalhe da paisagem era  nítido para mim. Chego a ouvir ainda agora o barulho das ondas do mar quebrando na areia, numa cadência envolvente. O sol já se despedia, deixando apenas alguns poucos raios iluminando o mar, a areia e os meus sentimentos.

Ao contrário eu tinha clareza no fundo dos olhos, serenidade vinda não sei bem de onde. Toda ansiedade havia partido, havia apenas um passo depois do outro e aquela mão conhecida que segurava a minha. Era uma mão íntima e firme, mas eu não conseguia ver o corpo ao qual aquela mão estava ligada. Estava feliz, sentia-me plena, mas não conseguia ver o rosto. Eu sabia quem era, mas não sabia como ele era. 

Sentia que sempre estivera ali, ao meu lado. Que compartilhamos por muito e muito tempo nossos risos e nossas lágrimas. Sentia que ele me conhecia tanto e tão profundamente que lia meus sentimentos. Eu me sentia de volta para casa depois de uma longa e solitária jornada.

Foi um sonho feliz. E por ora era o que tinha para compartilhar com você. Como andam as coisas nessas longínquas paradas?

A.L.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Hoje vou de.... Nanda Barreto

saudade curta

eu sinto falta das tuas palavras com tato.
o movimento jeitoso dos teus dedos
ao embalar meus não-pensamentos.
tenho saudade da maciez da voz,
da crueza dos corpos e do olhar de imã.
faz falta teu fino trato para trazer som aos silêncios,
romper o cansaço e diluir o amargor das rotinas.
eu dançaria de novo nua contigo no meio da rua.
e pintaria teu corpo pelo menos mais uma vez.
às vezes, quase te escrevo pedindo que volte.
mas refuto quando vasculho as memórias
com um pouquinho mais de rigor:
teu amor carece de brio.
tu tens a coragem mais curta que meus cabelos
e tua paixão está sempre por um fio...''

Vez ou outra eu rabisco uns poeminhas. Vez ou outra compartilho com amigos próximos ou distantes, mas nunca me senti de fato poeta.

Poeta é Camila do Valle. Poeta é Nanda Barreto, a Nanda do Blog Transitiva e Direta .

...E a Nanda me arrebentou de inveja-boa (isso existe?) com o poema que transcrevi aí em cima.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Reflexão

Ontem ouvi uma frase que me deixou a pensar:

'' Os homens buscam sexo para se sentir bem; as mulheres o buscam quando estão bem'' (Dra.Carmita Abdo)

Eu? Ainda refletindo...

E vocês, o que acham?

Carta à Alberto - Carnaval 2010

Querido Alberto,

Anita é definitamente um mistério para mim. Passei o carnaval tentando entendê-la um pouco mais. Pouco sei dessa mulher que certamente está à frente de seu tempo. Percebi que é passional, encantadora, e possui um entusiasmo pela vida quase infantil.

Em meio a desafios políticos, ela desliza pelos temas contemporâneos com facilidade, sem contudo deixar certa ansiedade de lado. Sem dúvida é feminista e traz no peito, a despeito do que digam as ortodoxas ou ela mesma teime em negar, sonhos e desejos corriqueiros.

É um desafio mergulhar nas entranhas dessa tal Anita, mulher que vem me fascinando nos últimos tempos. Vou seguindo com todos os desafios de criar sem ser piegas ou exageradamente naturalista.

Sigo construindo, ou será que a estou descobrindo? Mais uma pergunta para nossa lista.

Aguardo ansiosa uma resposta sua.

Beijos,

MC

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

De Volta para o Aconchego

É isso! Estou de volta de merecidas férias de verão em Fortaleza. Pensem numas férias boas. Agora, multipliquem por infinitesimal. Pronto, encontraram o resultado das minhas férias.

Sol: todos os dias. Boas comidas, excelentes companhias, novos amigos e amigas, muito banho de mar, caminhada na praia, muitas fotos interessantes e companhias intrigantes.

Some-se a isso, carinho de mãe e mimos de vó. Completou, não é? Aproveitei o ócio criativo, respirei muito, pus os pés no chão... Enfim, vivi cada dia integralmente; intensamente.

Ontem, ao tomar o táxi no aeroporto pensava apenas quão boas foram as férias e quanto é maravilhoso voltar para casa. Ao abrir a porta do apartamento senti-me de volta para o aconchego do lar (isso é clichê?). Foi incrível.

Acordei pronta para voltar ao trabalho e percorrer novos caminhos. Pronta para escrever mais e melhor. Cheia de idéias, afetos e sorrisos. Depois das férias, sem dúvida, sou uma mulher melhor.

Estou de volta ao Blog que receberá novidades em breve. Aguardem para depois do carnaval alguns deslocamentos e novos projetos. Afinal,

TODA MULHER TEM IDÉIAS, MUITAS IDÉIAS E MERECE COLOCÁ-LAS EM PRÁTICA.

domingo, 31 de janeiro de 2010

VIII Carta de Anita Lopez a Caio Marques

Querido Caio,

Quantas coisas interessantes tenho visto, ouvido e sentido por aqui. Quantas pessoas tenho conhecido. Algumas novinhas em folha, outras com jeito de que já conheço há séculos.

Estive viajando por cidades circunvizinhas. Sentindo a energia do lugar. Nesse percurso encontrei pessoas verdadeiramente especiais. Algumas delas, estou certa, você adoraria conhecer.

Tomei contato com idéias que intuía. Sabe aquela sensação de já saber algo que lhe está sendo dito naquele momento? Senti-me assim dia desses.

O sol continua brilhando forte, os dias pegam fogo e as noites são cálidas. Nos fins de tarde há uma brisa suave e alentadora que me coloca em contato comigo e com o planeta.

Ao escrever esta mensagem ouço o barulho do mar, sinto a brisa entrando pela larga porta da varanda e vejo coqueiros, areia branca e fofa, o mar esmeralda e o imenso azul celeste em seus diversos matizes. É lindo, tudo aqui é lindo.

Meus sentidos estão todos muitíssimos aguçados ultimamente. Os sabores são inebriantes. Sinto-me viva, esplendorosamente viva!

Estou encantada e feliz por estar aqui, agora. Grata, imensamente grata pelo que tenho experimentado. Pelas histórias que tenho ouvido e o acolhimento com que fui recebida.

Sinto-me plena, um amor imenso resplandece em mim. Algo brilhante e bom está acontecendo aqui, neste momento.

Com afeto,

A.L.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

VII - Carta de Anita Lopez a Caio Marques

Caio,

Em plena viagem exploratória de meu novo lar-doce-lar deparei-me com excelentes condições. O clima é ameno e as pessoas simpáticas. A cidade é bonita com suas construções simples e o comércio oferece tudo o que é necessário, além de haver boas opções culturais e artísticas. Há uma belíssima biblioteca aqui e para mim o paraíso tem livros, muitos livros.

Estou hospedada na casa de D. Maroca. Senhorinha muito alegre e falante, viúva e com muitas histórias para contar. Vive com ela seu filho mais velho: José e uma criada mal-criada, que costumam chamar Lerinha. A casa é confortável, tem um belo piano - o que me realiza - e ouço atentamente as histórias da cidade que D. Maroca viu crescer.

Desde muito jovem ela veio de uma pequena vila ao norte da província com seus 12 irmãos e irmãs e a mãe que ficara viúva. Os mais velhos cuidavam os mais novos. D. Maroca era caçula e o mimo de todos. Contou-me que por causa disso tornou-se uma mocinha bem mimada, que tinha todos os desejos realizados no momento em que queria. Não admitia ser menos que o centro das atenções. E era, segundo ela, muito namoradeira. Suas histórias são engraçadas, numa outra oportunidade contarei mais de D. Maroca e suas aventuras na cidade.

Busco por um lugar para chamar de meu. Os imóveis são bons, porém poucos estão disponíveis para aluguel. Além disso, você sabe, ainda hoje uma mulher sozinha é vista com desconfiança em alguns lugares. Aqui é um deles. Por outro lado, convivo há muitos anos com olhares que vão do curioso ao reprovador e isso não costuma me constranger.

Tem sido constante a companhia do senhor K. Ele foi designado pelo escritório central para auxiliar-me na exploração do novo território e tem feito um excelnte trabalho. Seu entusiasmo pela cidade é contagiante e costuma mostrar-me lugarzinhos charmosos onde poderei distrair-me das pressões do dia-a-dia.

Faz sol aqui o ano inteiro e é um hábito local banhar-se nas praias nos finais de semana. Outro hábito delicioso é o de assistir o pôr-do-sol numa velha ponte abandonada ao som de violeiros que poeticamente colocam trilha sonora nesse fantástico espetáculo da natureza.

Senhor K apresetou-me uma boa amiga que algumas vezes nos tem acompanhado. Maria Amélia é extremamente ativa, falante e seus olhos brilham imensos e claros sobre sua pele bronzeada. Ela é inteligente e em poucos encontros já nos tornamos ótimas amigas. Temos muito em comum, embora eu não tenha metade da vivacidade de Maria Amélia. Não há como entrar num salão acompanhada por ela e não ter todos os olhares imediatamente voltados para nós.

Como andam as coisas por aí? Você não tem escrito muito. Sua última correspondência era quase lacônica. Algo o aborrece? Sei que agora estamos mais distantes que nunca, mas foi o que escolhemos afinal. Cuide-se.

Vou ficando por aqui, repleta de boas expectativas quanto a nova vida.

A.L.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

VI - Carta de Anita Lopez a Caio Marques

Querido Caio,


Os dias passam rápido nesse início de novo ano. A notícia da remoção para outra parte do país me pegou de surpresa. Havia em mim um misto de receio e alegria pelo novo desafio. Eu, como você bem sabe, sou adepta a vida nômade.

Penso unicamente em todas as providências que terei de adotar para tornar a mudança de cidade efetiva e mais prazerosa que desgastante. No entanto, não posso deixar de registrar que R. entristeceu-se com a notícia. Somos muito próximas e com a partida minha querida amiga não poderá contar com nossos passeios ao entardecer, regados a boa prosa.

Ontem mesmo dei conhecimento a minha senhoria sobre a entrega do imóvel. Fui feliz naquele apartamento. Tudo tão limpo e iluminado. Mas estou certa que encontrarei um belo lugar para morar em meu destino. Tenho muita sorte com moradia, aliás, para ser justa, tenho mesmo muita sorte na vida e por isso sou grata. A remoção não poderia ter vindo em hora melhor.

Andei refletindo em como tudo acontece exatamente quando tem de acontecer. Que momento oportuno para esta mudança de cidade. É verdade que estava começando a me acostumar e até me encantar com a vila, mas sei que encontrarei lá boas razões para o encantamento.

Na próxima semana farei uma visita exploratória ao novo destino. Estou, confesso, bastante ansiosa com a perspectiva.

Por agora, meu amor, era o que tinha a dizer-te.

A.L.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sempre Novo De Novo

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido

Composição: Ivan Lins / Vitor Martins


Supostamente começou um novo ano, uma nova década. Finda a primeira do século XXI fica a sensação de que o tempo não para e que o mundo continua girando, de um modo ou de outro. Ontem ficou para trás com as boas e más lembranças. Depois da virada é um novo dia, tempo de renovar esperanças, fazer planos e realizar sonhos. Mas essa virada não acontece todos os dias, afinal?

A idéia aqui é que cada dia temos a possibilidade real de fazer ‘’a virada’’, deixando para trás o que não nos serve e tomando decisões – de fazer ou de não fazer – revolucionárias.

Nessa perspectiva venho virando a página todos os dias há vários meses. 2009 foi um ano de pequenas e grandes viradas diárias. Tomei decisões ousadas, troquei a pele várias vezes, mudei de casa, de trabalho, de planos e deixei para trás – mais de uma vez – velhos conceitos, antigos sonhos embolorados, decrépitas crenças ancestrais.

O ano de 2009 foi, definitivamente e a cada dia, um ano de mudanças. E eu as fiz como deveria, embora às vezes não sem alguma dor. Sinto-me hoje, primeiro dia útil (há dias inúteis?) de 2010, pronta para seguir virando, a cada 24h, a página da história, tomando decisões grandes e pequenas. Transformando os desafios da vida em experiências infinitamente interessantes e reveladoras de quem sou no mundo em que vivo. PORQUE

TODA MULHER TEM DIREITO A TORNAR-SE NOVA(s) A CADA DIA.



FELIZ DIA NOVO, A CADA DIA!!!