segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

VI - Carta de Anita Lopez a Caio Marques

Querido Caio,


Os dias passam rápido nesse início de novo ano. A notícia da remoção para outra parte do país me pegou de surpresa. Havia em mim um misto de receio e alegria pelo novo desafio. Eu, como você bem sabe, sou adepta a vida nômade.

Penso unicamente em todas as providências que terei de adotar para tornar a mudança de cidade efetiva e mais prazerosa que desgastante. No entanto, não posso deixar de registrar que R. entristeceu-se com a notícia. Somos muito próximas e com a partida minha querida amiga não poderá contar com nossos passeios ao entardecer, regados a boa prosa.

Ontem mesmo dei conhecimento a minha senhoria sobre a entrega do imóvel. Fui feliz naquele apartamento. Tudo tão limpo e iluminado. Mas estou certa que encontrarei um belo lugar para morar em meu destino. Tenho muita sorte com moradia, aliás, para ser justa, tenho mesmo muita sorte na vida e por isso sou grata. A remoção não poderia ter vindo em hora melhor.

Andei refletindo em como tudo acontece exatamente quando tem de acontecer. Que momento oportuno para esta mudança de cidade. É verdade que estava começando a me acostumar e até me encantar com a vila, mas sei que encontrarei lá boas razões para o encantamento.

Na próxima semana farei uma visita exploratória ao novo destino. Estou, confesso, bastante ansiosa com a perspectiva.

Por agora, meu amor, era o que tinha a dizer-te.

A.L.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sempre Novo De Novo

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido

Composição: Ivan Lins / Vitor Martins


Supostamente começou um novo ano, uma nova década. Finda a primeira do século XXI fica a sensação de que o tempo não para e que o mundo continua girando, de um modo ou de outro. Ontem ficou para trás com as boas e más lembranças. Depois da virada é um novo dia, tempo de renovar esperanças, fazer planos e realizar sonhos. Mas essa virada não acontece todos os dias, afinal?

A idéia aqui é que cada dia temos a possibilidade real de fazer ‘’a virada’’, deixando para trás o que não nos serve e tomando decisões – de fazer ou de não fazer – revolucionárias.

Nessa perspectiva venho virando a página todos os dias há vários meses. 2009 foi um ano de pequenas e grandes viradas diárias. Tomei decisões ousadas, troquei a pele várias vezes, mudei de casa, de trabalho, de planos e deixei para trás – mais de uma vez – velhos conceitos, antigos sonhos embolorados, decrépitas crenças ancestrais.

O ano de 2009 foi, definitivamente e a cada dia, um ano de mudanças. E eu as fiz como deveria, embora às vezes não sem alguma dor. Sinto-me hoje, primeiro dia útil (há dias inúteis?) de 2010, pronta para seguir virando, a cada 24h, a página da história, tomando decisões grandes e pequenas. Transformando os desafios da vida em experiências infinitamente interessantes e reveladoras de quem sou no mundo em que vivo. PORQUE

TODA MULHER TEM DIREITO A TORNAR-SE NOVA(s) A CADA DIA.



FELIZ DIA NOVO, A CADA DIA!!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Enterro dos Ossos

[...]Amar é qualquer coisa de mais grave e significativo do que o entusiasmo pelas linhas de um rosto e a cor de uma face; é decidirmo-nos por um certo tipo de ser humano que é simbolicamente anunciado nos pormenores do rosto, da voz e dos gestos.

O amor é uma escolha profunda. (Ortega y Gasset)




Ela e suas circunstâncias  [parafraseando Ortega y Gasset]
Vivera aquele Natal cálido e chuvoso
Metida num frente-unica amarelo,
Pés vestidos de esmalte carmim
Envolta num blois encarnado
Nos cabelos flores,
Na boca, apenas o sorriso largo.
Frida Khalo em pleno Pedro Almodóvar.
Viveu a celebração dos afetos reais
Abandonou os abraços partidos
Dependurados [na chuva]

Não se abandona mais, não há perigo.
Era agora o que sempre fora e não havia se dado conta:
Uma mulher como poucas
Uma mulher para poucos.